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Veículos autónomos buscam armas perigosas no fundo dos mares

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Veículos autónomos buscam armas perigosas no fundo dos mares
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Mergulhadores da polícia alemã procuram bombas no fundo do mar.

As águas costeiras da Alemanha e de outros países europeus estão repletas de munições antigas que explodem raramente mas que podem detonar se forem atingidas por uma âncora.

"Saímos para o mar, aqui, no Estado Federal de Schleswig-Holstein, de segunda a sexta-feira, em busca de munições no Mar Báltico, no Mar do Norte e nas águas interiores, para remover esse legado da Segunda Guerra Mundial e recuperar minas e torpedos", contou à euronews Frank Ketelsen, chefe das operações de mergulho da unidade de eliminação de bombas de Schleswig-Holstein.

Habitualmente, os mergulhadores retiram as munições do mar para serem desativadas em terra. Quando não é possível fazê-lo, as bombas são detonadas no fundo do mar.

"Se for preciso, instalamos cortinas de bolhas de ar para proteger os mamíferos marinhos e, depois, explodimos as munições", explicou Frank Ketelsen.

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As autoridades alemãs possuem amostras de munições antigas para treinar a políciaeuronews

Um milhão e seiscentas mil munições no fundo do mar

As autoridades possuem amostras de munições de vários períodos e origens que são usadas para treinar a polícia. É mais frequente falar-se das bombas não detonadas encontradas em terra, mas, segundo as estimativas, o volume de munições espalhadas pelo fundo do mar é considerável.

“Estima-se que ainda tenhamos 1,6 milhões de toneladas de munições das Guerras Mundiais despejadas no Mar do Norte e no Mar Báltico. Só no Mar Báltico são 300 mil toneladas. E esse número não tem em conta as munições perdidas durante os combates”, frisou Oliver Kinast, chefe da unidade de eliminação de bombas de Schleswig-Holstein.

Tecnologia para localizar bombas

A euronews acompanhou um navio científico do instituto GEOMAR, na costa báltica da Alemanha. Dois projetos financiados pela União Europeia testam atualmente novos métodos para localizar bombas, um problema que afeta as atividades ligadas ao mar e os ecossistemas subaquáticos.

“À medida que desenvolvemos mais projetos ao largo das costas, encontramos, cada vez mais, munições que têm de ser limpas. Uma das motivações para realizar esse trabalho é a instalação de parques eólicos e de cabos. Todas essas munições estão em invólucros de metal e sofreram uma corrosão durante setenta ou oitenta anos. E agora todos os produtos químicos que se encontravam no interior das armas começam a sair", afirmou Aaron Beck, investigador em biogeoquímica aquática, do Instituto GEOMAR, em Kiel.

Uma parte das armas convencionais e químicas foi deliberadamente deitada ao mar pelas forças armadas de diferentes países. Para identificar os locais exatos onde se encontram as armas os cientistas usam um veículo subaquático autónomo. "Hoje, estamos a usar o nosso robô para tirar fotografias do fundo do mar e fazer algumas medições com um magnetómetro", contou Nikolaj Diller, engenheiro da GEOMAR.

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Veículo Subaquático Autónomo usado para explorar o fundo do mareuronews

Veículos autónomos exploram fundo do mar

Os veículos subaquáticos autónomos permitem explorar o fundo do mar de forma rápida e eficiente. Várias máquinas podem operar ao mesmo tempo, o que reduz os custos. No fundo do mar, a equipa encontrou um depósito de munições em decomposição, nomeadamente pedaços de explosivos tóxicos. Há aterros semelhantes nas costas de vários países da Europa e em todo o mundo.

O risco de possíveis detonações e de contaminação ambiental impede o desenvolvimento de muitos setores da chamada economia azul, incluindo a energia offshore, o transporte marítimo, a aquacultura e o turismo.

O veículo do projeto europeu Basta explora o fundo do mar ao longo de uma trajetória programada. Os dados recolhidos incluem fotografias detalhadas e medidas magnéticas e acústicas que permitem conhecer a forma exata dos objetos suspeitos e saber se contêm metais.

"Combinamos as imagens da câmara e as medições magnéticas. Em muitos casos isso permite-nos saber de que tipo de objeto se trata”, explicou Marc Seidel, geofísico, da GEOMAR.

Ana´lises químicas aceleram obtenção de dados

A análise química aumenta o nível de certeza. Cientistas do projeto europeu ExPloTect estão a desenvolver um sistema com filtros especiais para recolher partículas dissolvidas de materiais explosivos. As amostras são analisadas com um espectrómetro de massa compacto que indica a concentração de vários explosivos. Um método que permite acelerar a deteção das munições.

"Antes eram precisos dois a três meses, desde a recolha de uma amostra até à obtenção dos dados. Agora, em teoria, se tudo funcionar bem, bastam 15 minutos para obter dados concretos a partir de uma amostra de água. Quando se trata de procurar armas a possibilidade de ter uma resposta rápida é importante", afirmou Aaron Beck.

A nova tecnologia é conhecida como "bala de prata". É usada em numerosos setores industriais que gastam muitos recursos para remover as munições não detonadas.

"Devido à simplicidade desta tecnologia, é possível adaptá-la a diferentes tipos de estruturas. O que nos permitirá fazer, por exemplo, monitorização ambiental permanente de longo prazo em sítios onde há armas não detonadas. É muito importante para decidir por onde começar a limpeza”, disse Onno Bliss, responsável pelo desenvolvimento de negócios da empresa K.U.M, em Kiel, na Alemanha.

Inteligência artifical ajuda a identificar armas

Outro desafio é o processamento dos dados recolhidos pelos veículos subaquáticos. Com base na inteligência artificial uma empresa sedeada em Kiel está a desenvolver um software que reúne dados científicos recentes e registos históricos, nomeadamente, arquivos antigos sobre operações militares na costa. Os algoritmos analisam os dados, procuram padrões relevantes para identificar áreas potencialmente contaminadas.

"A automação é uma enorme ajuda. Hoje, ainda se trata de um processo bastante manual, mas, a pouco a pouco, o método torna-se cada vez inteligente devido à análise de dados. Outro aspeto importante são os veículos subaquáticos autónomos, com sensores que recolhem esses dados. O que torna o processo mais barato", considerou Jann Wendt, fundador e presidente da Egeos.

A limpeza do fundo do mar é uma tarefa com potencial económico. Empresas privadas estão a desenvolver projetos em grande escala para recuperar e tratar as munições subaquáticas.

"Há toda uma indústria, pessoas que procuram e limpam munições. Essas pessoas afirmam que é possível resolver esse problema. É apenas uma questão de apoio financeiro”, concluiu Aaron Beck.