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Polónia vacila entre o carvão e a promessa de um futuro verde

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Polónia vacila entre o carvão e a promessa de um futuro verde
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De  Magdalena Chodownik & Euronews

A Silésia, região da Polónia rica em carvão, tem vindo a sofrer uma "transformação verde". Até agora, tal como o resto do país, depende economicamente do setor. Encerrar minas e abandonar o carvão é um grande desafio, uma vez que "transformação verde" significa não só uma transição energética, mas também industrial.

Piotr Kuczera, presidente da Câmara de Rybnik, tem vindo, desde há anos, a implementar alterações à cidade, mas salienta que, para enfrentar os desafios impostos pelo clima, os municípios silesianos precisam de ajuda.

"Dividimos as nossas atividades em três partes: primeiro, a educação, depois, o processo de subsídios, e, por fim, a aplicação de sanções que resultam, entre outras, da resolução anti-smog. Esperamos que os fundos europeus e governamentais sejam incluídos neste processo de transformação económica, porque o governo local não vai ser capaz de lidar com esta questão sozinho", alerta o autarca.

Em 2020, a extração de carvão na Polónia atingiu aproximadamente 54,4 milhões de toneladas, e as vendas de aproximadamente 53 milhões de toneladas.

O setor do aquecimento consome aproximadamente 26 milhões de toneladas de carvão, metade das quais para uso doméstico. A Polónia queima 87% do carvão utilizado pelos agregados familiares em toda a União Europeia.

Henrietta Ferenc tem 72 anos, está reformada e vive sozinha, doente. Sonha ter um ambiente saudável em casa. E apesar de ainda usar carvão, já contraiu um empréstimo para mudar de sistema de aquecimento, tal como imposto pelas novas regras ambientais da transformação ecológica.

Agora, Henrietta teme que o que recebe não cubra as despesas mensais.

"[Recebo] 2400 (pouco mais de 500 euros) para pagar tudo, tratar de tudo, e tenho ouvido que o combustível está a ficar cada vez mais caro, mais de 1000 zlotys (cerca de 220 euros) por tonelada, e eu preciso de uma tonelada por mês. Portanto, se tiver de pagar medicamentos, mais energia, mais empréstimos, a minha pensão não chega".

A história de Henrietta é idêntica à de muitas pessoas na Polónia, com dificuldade em pagar pela transição ecológica do país.

Os mineiros polacos, com interesse em manter a indústria viva, alertam para o perigo de uma crise energética, caso o país abandone o carvão depressa demais.

Rafał Jedwabny, representante do Solidarność, o sindicato dos mineiros, receia "que este inverno possa já mostrar que, de facto, a Polónia sem carvão não tem, neste momento, grandes alternativas".

Num futuro próximo, não duvida de que "vai haver uma crise", porque "a Polónia não está preparada para mudanças tão drásticas no sistema energético do país. Hoje em dia, os preços do gás mostram que os polacos simplesmente não vão ser capazes de pagar a energia".

Apesar das mudanças ecológicas implementadas, a região Silesiana, tal como o país, ainda não estão totalmente preparados para o encerramento das minas.

O ministro-adjunto do Clima, Ireneusz Zyska, mantém-se otimista, mas reconhece que assegurar a estabilidade energética no país sem carvão é um desafio.

"Talvez tenhamos de aceitar por vezes o carvão como fonte energética, através de tecnologias avançadas, de modo a não emitir poluentes para o ambiente. Até a Polónia mudar para um sistema energético baseado em energia nuclear, tendo o gás como combustível de transição, vamos ter de recorrer à geração de energia convencional baseada no carvão", afirma.

No ano passado, as minas polacas produziram aproximadamente 7,2 milhões de toneladas de hulha, menos que no ano anterior. De ano para ano, as vendas desta matéria-prima sofreram uma redução de aproximadamente 5,4 milhões de toneladas. A produção diminuiu quase 12%, e as vendas mais de 9%.

Contudo, apesar das quebras, a indústria do carvão tem uma posição estável na Polónia e gera postos de trabalho para uma parte significativa da população, especialmente na região silesiana, onde não há alternativas suficientes.