Cacau sem desflorestação: os produtores da Costa do Marfim receiam pagar preço da sustentabilidade

Cacau sem desflorestação: os produtores da Costa do Marfim receiam pagar preço da sustentabilidade
Direitos de autor euronews
De  Cyril Fourneris
Partilhe esta notícia
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

O novo regulamento da União Europeia sobre a desflorestação (EUDR) entra em vigor no final do ano.

A alguns meses da entrada em vigor do novo regulamento da União Europeia sobre a desflorestação (EUDR), a cooperativa marfinense Cayat criou um sistema para garantir a sustentabilidade do seu cacau e apela a uma melhor remuneração dos produtores.

"As normas aplicam-se a toda a gente, por isso não aceitamos produtores que tenham desflorestado ou que estejam em áreas protegidas. Com as alterações climáticas aqui em África, hoje está muito calor, não há chuva. Já tínhamos previsto isto, mesmo antes de estas regras chegarem, já estávamos a instalar viveiros de sombra", contou à euronews Robert Yao Nguettia, secretário-geral da cooperativa Cayat.

Novos técnicas agrícolas

"Aqui cultivamos árvores de sombra. Estas árvores de fruto e florestais são distribuídas aos produtores. Ajudam-nos a cultivar cacau, porque vimos que nos últimos anos temos tido demasiado sol e os cacaueiros não conseguem produzir mais. Provámos que plantar árvores para os apoiar os ajuda e, além disso, as folhas das árvores que caem no chão melhoram o solo, como um fertilizante. Também estamos a plantar árvores de fruto, que lhes dão outras fontes de rendimento", disse à euronews, Ake Rosin, Secretária Geral da Associação de Mulheres, da Cooperativa Cayat.

A aposta na formação

"A nível da cooperativa, empregamos cerca de vinte jovens para inspecionar as plantações, após o que lhes é dada formação. Estamos a conseguir pôr em prática medidas de proteção do ambiente, mas não é fácil para todas as cooperativas da Costa do Marfim. Por isso, se quisermos manter os poucos produtores que ainda querem continuar a cultivar cacau, vamos ter de comprar cacau a um preço verdadeiramente remunerador. Cada um de nós tem uma responsabilidade. Temos de definir as responsabilidades do fabricante de chocolate, do exportador e, finalmente, dos produtores. É preciso que cada um saiba claramente o que deve fazer. É muito bonito salvar o planeta, mas também temos de salvar as pessoas que nele vivem", disse Awa Bamba, Diretor-Geral da cooperativa Cayat.

Partilhe esta notícia

Notícias relacionadas

Os europeus adoram chocolate. Mas será que o podem comer de consciência tranquila?

Lei de desflorestação da UE levanta dúvidas no Brasil

Incêndios florestais e ansiedade ecológica levam crianças portuguesas a iniciar batalha judicial europeia