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Áustria: eurodeputada verde exibe vestido 'Tax the rich' na passadeira vermelha

Lena Schilling usa um vestido no Baile da Ópera de Viena com a mensagem «tax the rich, save the climate»
Lena Schilling com um vestido no Baile da Ópera de Viena onde se lê 'taxem os ricos, salvem o clima'. Direitos de autor  Shams Daniel.
Direitos de autor Shams Daniel.
De Liam Gilliver
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Lena Schilling aproveitou o Baile da Ópera de Viena para denunciar os super-ricos austríacos e defender o regresso a um imposto sucessório mais justo

Uma deputada ao Parlamento Europeu dos Verdes faz uma declaração arrojada em nome da «justiça e da ação climática» depois de ter participado no Baile da Ópera de Viena, na Áustria.

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Lena Schilling marcou presença no desfile da passadeira vermelha com um vestido azul-claro, estampado com o slogan «tax the rich save the climate», e empunhava uma faixa onde se lia: «O mundo perece no luxo».

A ação faz lembrar o gesto da congressista norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez, que em 2021 apareceu na Met Gala com um vestido branco onde se lia o slogan «TAX THE RICH».

Vestido «tax the rich» de Lena Schilling

«Não conseguimos travar a crise climática enquanto os super-ricos viverem de heranças não tributadas como se não houvesse amanhã, sobretudo numa altura em que a vida se torna incomportável para tanta gente», afirma Schilling, em comunicado enviado ao Euronews Green.

«Não foram eles que ganharam esta riqueza dinástica, tal como as crianças em risco de pobreza também não tiveram essa oportunidade. Seria muito melhor investida em creches, passes de transportes públicos e hospitais.»

Schilling apontou o dedo à OMV, uma das maiores empresas industriais da Áustria, especializada em petróleo, gás e petroquímicos, principal patrocinadora do Baile da Ópera de Viena.

«A crise climática vai afetar também todos os que estão aqui, mas os danos climáticos sentem-se primeiro entre quem tem menos dinheiro», acrescenta a eurodeputada.

Lena Schilling com o seu vestido «tax the rich».
Lena Schilling com o seu vestido «tax the rich». Shams Daniel.

Desde 1980, fenómenos meteorológicos extremos, ligados ao aumento das temperaturas, provocaram prejuízos de cerca de 738 mil milhões de euros em toda a Europa.

«Imaginem o que esse dinheiro poderia ter feito pela ação climática, pela educação e pelo nosso sistema de saúde», sublinha Schilling.

«O meu protesto não é, obviamente, contra a mãe que hoje à noite vê com orgulho a filha dançar a valsa de abertura. É contra as 400 pessoas super-ricas na Áustria, com patrimónios superiores a 100 milhões de euros, que lucram com a destruição do nosso planeta.»

Áustria deve taxar os super-ricos?

No Instagram, a eurodeputada apelou aos seus 40 mil seguidores para assinarem uma petição que pede ao governo austríaco que taxe os super-ricos de forma «justa», incluindo o regresso do imposto sobre heranças, abolido em 2008.

«Quem tem muito dinheiro pode devolver mais à sociedade», lê-se no texto. «Na maioria dos países existe, há muito, um imposto para os super-ricos.»

Os Verdes dão como exemplo a Coreia do Sul, que, afirma, arrecadou cerca de 9 mil milhões de euros com uma única herança da família Lee, fundadora da Samsung Electronics, receita que ajudou a reduzir impostos para as médias empresas e a construir infraestruturas essenciais, como escolas.

A Samsung é um dos maiores contribuintes da Coreia do Sul, embora o valor pago varie consoante a sua rentabilidade. Com 50 por cento, a taxa de imposto sobre heranças na Coreia do Sul é a segunda mais elevada do mundo, a seguir à do Japão.

«Mas como é na Áustria? Trabalha muito e ganha 2 000 euros por mês. Paga impostos sobre o seu rendimento? Sim», prossegue a petição.

«[Mas] alguém herda 50 milhões de euros. Os super-ricos pagam impostos sobre esse dinheiro? Não! Acha que isso é justo?»

Como poderia ser o imposto sucessório na Áustria?

Os apelos para restaurar o imposto sobre heranças e património na Áustria têm ganho força nos últimos anos. Os Verdes defendem uma isenção para heranças até 1 milhão de euros, ou 1,5 milhões de euros no caso de imóveis onde esteja registada a residência principal.

A partir desse valor, qualquer herança até 5 milhões de euros seria sujeita a uma taxa de 25 por cento, que subiria para 30 por cento entre 5 e 10 milhões de euros e para 35 por cento acima desse montante.

O partido defende ainda exceções para explorações agrícolas e pequenas empresas familiares, acrescentando: «O pequeno canalizador ali ao virar da esquina não é o mesmo que uma multinacional avaliada em milhares de milhões, nas mãos das famílias mais ricas do país.»

Segundo Os Verdes, um imposto deste tipo geraria pelo menos 1,5 mil milhões de euros por ano.

A petição identifica e expõe 10 pessoas e famílias super-ricas a viver na Áustria, todas com patrimónios superiores a 3 mil milhões de euros. Entre elas estão Mark Mateschitz, que detém quase metade da Red Bull, e o antigo presidente executivo da L’Occitane en Provence, Reinold Geiger.

À data de publicação deste artigo, a petição reunia 9 418 assinaturas. Pode saber mais aqui.

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