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Peixes-palhaço bebés perdem riscas para garantir estatuto social

Peixes-palhaço-de-tomate (Amphiprion frenatus) exibem duas barras brancas quando juvenis, mas perdem uma ao atingirem a idade adulta.
Os peixes-palhaço-tomate (Amphiprion frenatus) exibem duas barras brancas quando são juvenis, mas perdem uma à medida que atingem a idade adulta. Direitos de autor  Camille Sautereau
Direitos de autor Camille Sautereau
De Angela Symons
Publicado a
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Altamente territoriais, os peixes-palhaço usam os padrões de cor e o tamanho para marcar e fazer reconhecer a sua posição na hierarquia social

Vestir-se para parecer mais adulto é um ritual de passagem na adolescência, mas não é exclusivo dos humanos

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Verificou-se que os peixes-palhaço juvenis perdem a faixa branca vertical extra mais cedo quando estão rodeados por peixes mais velhos.

Um novo estudo do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa (OIST) mostra como os jovens peixes-anémona-do-tomate reagem às influências sociais num mundo rigidamente hierarquizado.

Riscas dos peixes-palhaço marcam hierarquia

Dentro das anémonas hospedeiras, a espécie aceita tipicamente apenas um único par reprodutor, sendo os peixes mais jovens e subordinados fáceis de identificar pelo tamanho e por uma ou duas riscas brancas adicionais.

“Já tínhamos mostrado que os peixes-anémona contam barras para se reconhecerem uns aos outros. Sabemos, por isso, que as barras, as riscas verticais brancas características dos peixes-palhaço, são essenciais na comunicação”, explica a Dra. Laurie Mitchell, autora principal do estudo publicado na revista PLOS Biology (fonte em inglês).

Em cerca de um terço das espécies de peixes-anémona, estas barras desaparecem à medida que passam à idade adulta. Isto acontece sobretudo em espécies que vivem em grupos mais pequenos, possivelmente porque diferenças de tamanho mais acentuadas dentro da hierarquia tornam as lutas mais perigosas, pelo que os sinais visuais de estatuto são importantes para a sobrevivência.

Para perceber como e por que razão ocorre esta mudança, os investigadores usaram câmaras para observar juvenis em anémonas com adultos e em anémonas vazias, artificiais ou sem anémonas.

Surpreendeu-os verificar que a perda das barras se acelerava na presença de adultos, apesar de as barras extra indicarem uma posição mais baixa na hierarquia.

“Isto pareceu-nos, à partida, muito contraintuitivo, porque sabemos que as barras extra servem precisamente para sinalizar a sua condição de subordinados”, diz a Dra. Mitchell.

Porque é que os peixes-palhaço perdem as riscas?

Depois de eclodirem, os peixes-anémona passam um curto período no mar até encontrarem uma anémona a que chamam casa. Os investigadores defendem que as “riscas de bebé” podem ajudá-los a parecer inofensivos e a evitar confrontos com os peixes adultos residentes.

Mas, antes de chegarem novos rivais, podem também querer consolidar depressa a posição na nova sociedade. Isto, sugerem os investigadores, poderá explicar porque perdem as riscas mais cedo.

Em anémonas desocupadas, por outro lado, verificou-se que os peixes mantinham as barras extra durante mais tempo, possivelmente como uma “apólice de seguro” contra uma expulsão por adultos invasores.

“Esta investigação ajuda a compreender melhor como os padrões de cor dos animais evoluíram para serem flexíveis ao longo do desenvolvimento e se adaptarem a condições ambientais imprevisíveis”, diz a Dra. Mitchell.

“Dá-nos um novo nível de entendimento e de valorização sobre como e por que razão os padrões de cor dos peixes podem formar-se e alterar-se ao longo de uma única vida.”

Como é que os peixes-palhaço perdem as riscas?

As riscas brancas dos peixes-palhaço são formadas por células especiais que refletem a luz, chamadas iridóforos.

Ao observá-las ao microscópio, os investigadores detetaram morte celular em massa: “As células encolhem, as membranas enrugam-se e os núcleos fragmentam-se”, explica a Dra. Mitchell.

As barras brancas são depois substituídas pela pele laranja característica.

“Características de pigmentação como estas barras brancas são muitas vezes encaradas apenas como simples marcadores visuais, mas na realidade transportam um significado biológico rico”, afirma o coautor do estudo, professor Vincent Laudet.

“Este estudo mostra que, ao combinar ecologia, evolução, genómica e biologia do desenvolvimento, é possível ir além da descrição dos padrões de cor e perceber realmente para que servem.”

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