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Minirrobô pode ajudar a administrar fármacos, dissolver coágulos e detetar cancro

Cientistas desenvolveram um minúsculo robô macio, coberto por estruturas semelhantes a pelos, capaz de manipular o fluxo sanguíneo.
Cientistas desenvolveram um minúsculo robô flexível coberto por estruturas semelhantes a pelos, capaz de controlar o fluxo sanguíneo. Direitos de autor  The Chinese University of Hong Kong & Chinese PLA General Hospital
Direitos de autor  The Chinese University of Hong Kong & Chinese PLA General Hospital
De Roselyne Min
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Ao revestirem o robô com anticorpos, os investigadores recolheram células cancerígenas raras do sangue de 23 doentes com cancro do fígado, mostrando potencial para futura monitorização e diagnóstico

Cientistas desenvolveram um minúsculo robô macio, revestido por estruturas semelhantes a pêlos, capaz de manipular o fluxo sanguíneo, ajudando potencialmente os fármacos a chegar às paredes dos vasos, acelerando a destruição de coágulos sanguíneos e capturando células cancerígenas raras.

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Investigadores do Shenzhen Institute of Artificial Intelligence and Robotics for Society, da The Chinese University of Hong Kong e do Hospital Geral do Exército de Libertação do Povo Chinês, na China, desenvolveram um dispositivo chamado CiliaVine, que poderá no futuro permitir uma administração mais precisa de fármacos, tratar coágulos sanguíneos e, potencialmente, ajudar a monitorizar o cancro ao capturar células tumorais que circulam na corrente sanguínea.

O dispositivo é fixado a um fio-guia médico e recorre a campos magnéticos para pôr em movimento, segundo diferentes padrões, pequenas estruturas flexíveis semelhantes a pêlos, conhecidas como cílios.

No estudo, (fonte em inglês) os investigadores testaram a capacidade do dispositivo para desfazer coágulos e administrar fármacos em modelos laboratoriais, bem como para capturar células tumorais em amostras de sangue de doentes com cancro do fígado e no interior de coelhos com tumores hepáticos.

O sangue circula normalmente nos vasos em camadas regulares. Embora isso seja eficiente para a circulação, dificulta o movimento lateral de fármacos, partículas ou células através da corrente sanguínea.

Os investigadores conceberam o robô para perturbar localmente esse fluxo. Consoante a programação do campo magnético, os cílios podem bombear material na direção da parede do vaso, afastá-lo dessa parede ou criar minúsculos vórtices que misturam o fluido envolvente.

Em testes laboratoriais, o robô ajudou a fazer chegar uma maior quantidade de um fármaco-modelo à parede do vaso.

O total que atingiu a parede foi 146% superior ao obtido quando o fármaco se difundia naturalmente, e mais 75% alcançou 1 mm para além da parede do vaso.

Os investigadores testaram também se o robô poderia ajudar a dissolver coágulos sanguíneos. Num modelo de vaso tratado com o fármaco trombolítico tPA, os coágulos dissolveram-se em cerca de 40 minutos quando o robô estava a funcionar, face a uma média de 70 minutos sem o dispositivo.

Segundo o estudo, o pequeno robô pode igualmente ser usado para monitorização do cancro. Ao revestirem o dispositivo com anticorpos, os investigadores capturaram células tumorais circulantes, raras células cancerígenas libertadas na corrente sanguínea, em amostras de todos os 23 doentes com cancro do fígado testados no Hospital Geral do Exército de Libertação do Povo Chinês, na China.

A equipa testou ainda o robô em coelhos vivos com tumores hepáticos, inserindo-o numa veia principal através de um cateter e acionando-o magneticamente durante 20 minutos, sem sinais relatados de inflamação ou lesão dos tecidos nas secções de vasos analisadas.

A tecnologia ainda não foi testada como tratamento ou ferramenta de diagnóstico em seres humanos. Mas os investigadores consideram que poderá, no futuro, oferecer uma forma de manipular fármacos e células diretamente em zonas específicas da corrente sanguínea, em vez de depender apenas do fluxo do sangue para os transportar até ao destino.

Editor de vídeo • Roselyne Min

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