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Terroristas têm um acesso cada vez mais facilitado a armas militares europeias

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De  Andrei Beketov  & Isabel Marques da Silva
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Terroristas têm um acesso cada vez mais facilitado a armas militares europeias

Os terroristas que atuaram na Europa, nos últimos anos, têm um acesso cada vez mais facilitado a armas de fogo de nível militar contrabandeadas por grupos criminosos.

A conclusão é do estudo SAFTE (Estudo sobre Aquisição de Armas de Fogo Ilícitas por Terroristas na Europa), patrocinado pela Comissão Europeia, apresentado, esta semana, numa conferência em Bruxelas, e a euronews falou com Nils Duquet, um dos investigadores do estudo, levado a cabo pelo Instituto de Paz Flamengo.

Andrei Beketov/euronews: Qual é a principal proveniência dessas armas?

Nils Duquet/investigador: Muitas dessas armas traficadas para a Europa têm origem nos países dos Balcãs Ocidentais e são uma herança da guerra (da ex-Jugoslávia). Muitas acabaram nas mãos de cidadãos privados nos anos 90. Mas também há armas de fogo de nível militar que foram desativadas e legalmente vendidas, mas que os criminosos facilmente reconvertem para a capacidade inicial. Sabemos que há terroristas que têm ligações ao mundo do crime organizado por forma a obterem essas armas.

Andrei Beketov/euronews: Quem são os principais compradores?

Nils Duquet/investigador: Antigamente, muitos grupos separatistas, como o IRA e o ETA dependiam muito de armas de fogo para a sua atividade. Agora são usadas por redes de terroristas ligados ao extremismo islâmico, como aconteceu nos atentados de Paris, em 2015. Mas há mais um tipo de terroristas que começaram a usar estas armas e que estão ligados a movimentos de extrema-direita. O exemplo mais notório é o de Andres Breivik, que usou as armas de fogo para massacrar mais de 60 pessoas na Noruega.

Andrei Beketov/euronews: Quão facilmente se obtêm armas de fogo na Bélgica?

Nils Duquet/investigador: Somos um país conhecido por ter armas porque as fabricamos há centenas de anos. Tivemos uma legislação muito branda até 2006, o que significou que os criminosos vinham muitas vezes à Bélgica para comprar armas. Vemos que algumas armas voltaram ao mercado na Bélgica por causa da presença de pessoas com experiência suficiente para as adquirir e para as utilizar.

Andrei Beketov/euronews: O que é que a União Europeia está a fazer para travar esta atividade?

Nils Duquet/investigador: Há um reforço da intervenção da Europol, que encara o tráfico de armas como uma importante prioridade, o que significa que deveremos estimular muito mais a cooperação entre os Estados-membros.