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Passagem de Macron pelo Parlamento Europeu gera reações diversas e até protestos

Macron defendeu direito ao aborto diante de Matsola, opositora do processo
Macron defendeu direito ao aborto diante de Matsola, opositora do processo Direitos de autor AP Photo/Jean-Francois Badias
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Grupos parlamentares europeus fizeram ver ao Presidente de França o que esperam dele nos próximos seis meses. Os jornalistas não gostaram de lhe terem sido recusadas as perguntas

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A passagem de Emmanuel Macron pelo Parlamento Europeu, esta quarta-feira reunido em Estrasburgo, foi vista por alguns eurodeputados como uma ação de campanha para as presidenciais marcadas para abril em França e acabou em controvérsia com os jornalistas.

Foi o caso do conterrâneo de Macron, Yannick Jadot, eurodeputado pelo grupo dos "Verdes", que aproveitou para pedir ao presidente francês mais ação pelo clima e menos subserviência aos "lóbis" das companhias poluentes.

Jadot dirigiu diretamente a Macron e disse-lhe que iria ser "lembrado na história como o presidente da inação climática". "De facto, o senhor é um homem do clima acomodado. Prefere assinar armistícios com os grupos de ‘lóbi’ em vez de liderar a luta contra o aquecimento global. Prefere procrastinar como a Meryl Streep no filme ‘Não Olhem para Cima’”, afirmou o eurodeputado ecologista, numa referência ao recente filme da Netflix, que muito deu que falar pela sátira a um mundo política de muita conversa e pouca ação pelo planeta.

A intervenção de Jadot recebeu, no entanto, várias críticas do hemiciclo europeu, pouco interessado na política interna francesa.

Num âmbito mais abrangente, os social democratas acolheram de bom grado a reforma da Carta de Direitos Fundamentais sugerida por Macron para incluir o direito ao aborto, um recurso das mulheres ao qual se opõe a nova Presidente do Parlamento Europeu, a maltesa Roberta Matsola, que liderava a sua primeira sessão plenária.

Em termos de política externa, os social democratas exigem mais ao mais alto responsável do governo agora na presidência do Conselho da União Europeia, que esteve na posse de Portugal até dezembro.

"Temos de permitir acabar com o principio da unanimidade na política externa para que a Europa possa, de facto, avançar nesse sentido e ganhar também a dimensão externa como uma das nossas prioridades", afirmou a espanhola Iratxe García Pérez à Euronews, marcando, enquanto presidente do grupo S&D, a posição dos "eurossocialistas" na questão do Estado de Direito.

Para os representantes do Partido Popular Europeu (PPE), as prioridades de Macron estão bem definidas.

Os conservadores europeus pedem no entanto mais determinação na defesa da soberania europeia após o pedido de Macron para mais diálogo com a Rússia, numa altura em que as posições entre Bruxelas e Moscovo esfriaram devido à tensão no leste da Ucrânia e à proteção da Bielorrússia no caso dos migrantes.

"Não queremos ter más relações com ninguém, mas temos de nos assegurar de que todos respeitam os valores europeus e, neste ponto, Macron foi claro", considerou o "euroconservador" alemão Andreas Schwab.

O líder do PPE aproveitou o mediatismo da presença de Macron para fazer também campanha para as presidenciais francesas, pedindo aos eleitores para optarem pelo equilíbrio de géneros e votarem em Valérie Pécresse, a candidata de centro direita ao Eliseu.

A sessão plenária viria no entanto a fechar com controvérsia devido a uma suposta conferência de imprensa após o debate em que o Presidente de França recusou responder a perguntas.

Alguns jornalistas abandonaram a sala onde Macron fez apenas mais uma declaração para sublinhar o protesto contra a decisão do Presidente de França de não lhes conceder respostas.

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