UE está dividida sobre asilo para russos que fogem à mobilização militar

Access to the comments Comentários
De  Efi Koutsokosta  & Isabel Marques da Silva
Polícias russos detêm um manifestante que protesta contra a mobilização em São Petersburgo, Rússia, 24 de setembro de 2022.
Polícias russos detêm um manifestante que protesta contra a mobilização em São Petersburgo, Rússia, 24 de setembro de 2022.   -   Direitos de autor  AP

A fuga de homens russos para escapar à mobilização militar especial decretada pelo Presidente Putin está a dividir a União Europeia (UE) sobre se deve ser um dos portos de abrigo.

O apoio aos dissidentes perseguidos pelo regime foi uma promessa feita desda a invasão da Ucrânia, mas os Estados Bálticos, a Finlândia e a Polónia defendem um encerramento geral das fronteiras a quem vier da Rússia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Letónia, Edgars Rinkevics, disse, num post no Twitter, que "muitos russos que agora fogem da Rússia por causa da mobilização não se incomodavam com a morte de ucranianos. Não protestaram nessa altura. Há riscos de segurança consideráveis em admiti-los e existem muitos países fora da UE para irem".

Vários Estados-membros pedem para que se estudem os casos individualmente, mas os analistas recordam os deveres legais da UE e consideram urgente terem uma posição comum.

"Ainda defendemos, por razões importantes, o direito de todos a procurarem asilo. Não conhecemos a situação pessoal de algumas pessoas que estão a tentar chegar à Europa, neste momento. Além disso, há muitos protestos em curso na Rússia, o que tem fortes repercussões para as pessoas envolvidas. Mais uma vez, compreendo os argumentos, mas não deveria ser uma razão para minarmos o direito individual das pessoas a procurarem asilo", afirmou a analista Marie de Somer, do Centro de Políticas Europeias, em declarações à euronews.

Os representantes diplomáticos dos Estados-membros reuniram-se, esta segunda-feira, e solicitaram à Comissão Europeia que atualizasse as diretrizes que suspenderam o Acordo de Facilitação de Vistos com a Rússia, a 9 de setembro.

Para alguns governos europeus, são necessárias provas de que os russos que entram no território da UE não são agentes do governo de Moscovo.