Hidrogénio ecológico é solução ou ficção para os transportes?

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De  Christopher Pitchers  & Isabel Marques da Silva
Há menos de mil estações de serviço de hidrogénio no mundo e uma delas fica no porto de Antuérpia
Há menos de mil estações de serviço de hidrogénio no mundo e uma delas fica no porto de Antuérpia   -   Direitos de autor  Euronews

O hidrogénio está em destaque na estratégia da União Europeia (UE) de transição para sistemas de energia limpa, nomeadamente para revolucionar os meios de transporte.

Há menos de mil estações de serviço de hidrogénio no mundo e uma delas fica no porto de Antuérpia, na Bélgica. Os automóveis movidos a hidrogénio podem ser aqui abastecidos, sendo que este é um gás que não emite substâncias poluentes.

A Comissão Europeia quer expandir estas unidades, aumentando as infra-estruturas de abastecimento em todo o bloco.

Mas será o hidrogénio realmente uma solução viável, a curto prazo, no setor dos transportes, para diminuir as emissões que causam o efeito de estufa?

Os investidors neste setor estão otimistas, como é o caso de Roy Campe, director de Tecnologia da CMB.TECH: "É parte da solução. Precisamos, sobretudo, de investir maciçamente em energias de fonte renovável, tais como a solar e a eólica. O problema é que, mesmo obtendo mais dessa energia, ainda não existem suficientes sistemas para a consumir", disse, em entrevista à euronews.

"O hidrogénio é um gás perfeito em termos de armazenamento. O hidrogénio fará, definitivamente, parte do futuro dos combustíveis. Não dizemos que será exclusivo, mas acreditamos que a maioria do equipamento pesado de transporte será alimentado por hidrogénio no futuro", acrescentou Roy Campe.

Produzir em larga escala é o problema

O hidrogénio renovável é obtido através de eletrólise, usando eletricidade de fonte renovável para dividir a água em hidrogénio e oxigénio. É depois armazenado até ser necessária a sua utilização.

Bruxelas também quer utilizar hidrogénio para reduzir as emissões poluentes noutros setores, incluindo na produção de produtos químicos, tais como os fertilizantes e os plásticos.

Fazer eletrólise de uma forma industrial é muito complicado. É por isso que não se consegiu até agora e ninguém o está a fazer.
Samuel Furfari
Professor de Engenharia Química, Universidade Livre de Bruxelas

Mas produzir hidrogénio utilizando apenas a eletrólise não será suficiente para a atingir a escala necessária, diz um perito e ex-funcionário da comissão europeia, Samuel Furfari, atualmente professor de Engenharia Química na Universidade Livre de Bruxelas.

"Produzir hidrogénio com eletrólise é muito complicado e consome muita energia. É uma questão importante. Vimos o nosso professor fazê-lo na sala de aula e, por isso, acreditamos que é a solução. Não, não é. Fazer eletrólise de uma forma industrial é muito complicado. É por isso que não se consegiu até agora e ninguém o está a fazer", afirmou Samuel Furfari.

Até agora, a maioria do hidrogénio tem sido produzido a partir de energia de origem fóssil, tal como o gás natural, que é um combustível que emite muita poiluição. Para ser uma solução na UE, o hidrogénio terá ainda de ser mais ecológico.