"Estado da União": Alemanha travou legislação da UE no setor automóvel

A Alemanha colocou um travão em  legislação histórica para proibir a venda de novos automóveis com motores a gasolina e gasóleo a partir de 2035
A Alemanha colocou um travão em legislação histórica para proibir a venda de novos automóveis com motores a gasolina e gasóleo a partir de 2035 Direitos de autor Michael Sohn/Copyright 2019 The AP. All rights reserved.
De  Stefan GrobeIsabel Marques da Silva
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A Comissão Europeia está agora a fazer todo o possível para salvar o diploma, com a inclusão de uma cláusula sobre os combustíveis sintéticos.

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Os Estados-membros da União Europeia (UE) deveriam concluir, esta semana, legislação histórica para proibir a venda de novos automóveis com motores a gasolina e gasóleo a partir de 2035.

A votação deveria ser apenas uma formalidade, uma vez que tanto os governos dos 27 países como o Parlamento Europeu já tinham chegado a acordo sobre a lei, uma pedra angular do Pacto Ecológico Europeu

Mas, em nome da "neutralidade tecnológica", a Alemanha pediu uma exceção, que pode efetivamente matar o acordo. 

"Atualmente, na sequência da decisão do Parlamento Europeu e do debate que se seguiu, não há certeza jurídica de que os veículos com motores a gasolina ou gasóleo possam eftivamente ser matriculados depois de 2035, se forem abastecidos com combustível sintético", disse Christian Lindner, ministro das Finanças.

A Comissão Europeia está agora a fazer todo o possível para salvar o diploma, com a inclusão de uma cláusula sobre os combustíveis sintéticos, apesar dos especialistas dizerem que é uma tecnologia cara, pouco eficiente e que, provavelmente, continuará a ser um produto de nicho durante muitos anos.

A semana  ficou, também, marcada pelo facto da Turquia bloquear o acesso da Suécia e da Finlândia à NATO. O governo de Ancara afirma que ambos os países, especialmente a Suécia, têm sido brandos em relação ao terrorismo que atingiu a Turquia no passado e que proporcionam um porto seguro para as pessoas que Ancara considera terroristas.

As tentativas par a dissuadir a Turquia desta linha dura têm sido infrutíferas, mas as negociações desta semana parecem estar a caminhar para uma solução, disse Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO.

"Estamos a fazer progressos. Congratulo-me com o facto de a Suécia ter intensificado a luta contra o terrorismo, incluindo o PKK, ao introduzir nova legislação anti-terrorista e ao reforçar a cooperação com o governo de Anacar contra o terrorismo. Chegou a hora de finalizar o processo de ratificação", disse Stoltenberg.

A euronews entrevistou Asli Aydintasbas, especialista em política turca, membro do Conselho Europeu de Relações Externas e da Brookings Institution.

"A NATO, tanto ao nível dos Estados Unidos, como dos Estados-membros da UE, é muito cautelosa em não entrar numa discussão pública com o presidente turco. Vão dando um empurrão suave e o secretário-geral da NATO está, geralmente, a fazer o papel do polícia bom. E por vezes os norte-americanos fazem o papel de polícia mau, particularmente o Congresso dos EUA quando ameaça a Turquia com a venda de F-16. A Turquia precisa desesperadamente desses caças para modernizar a força aérea, o que não vai acontecer se a Turquia continuar a fazer este bloqueio", explicou Asli Aydintasbas.

(Veja a entrevista na íntegra em vídeo)

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