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Von der Leyen explica viagem a Israel e alerta para "fúria da guerra"

Ursula von der Leyen discursou perante o Parlamento Europeu na quarta-feira de manhã e debateu os últimos desenvolvimentos da guerra entre Israel e o Hamas.
Ursula von der Leyen discursou perante o Parlamento Europeu na quarta-feira de manhã e debateu os últimos desenvolvimentos da guerra entre Israel e o Hamas. Direitos de autor European Union, 2023.
Direitos de autor European Union, 2023.
De  Jorge LiboreiroIsabel Marques da Silva (Trad.)
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Artigo publicado originalmente em inglês

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen defendeu, quarta-feira, a sua viagem a Israel, que foi alvo de críticas, e apelou à União Europeia para que "redobre" os esforços para proteger a população civil na Faixa de Gaza.

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"Ontem à noite, uma nova tragédia sem sentido chocou-nos a todos", disse Ursula von der Leyen, no hemiciclo do Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França), referindo-se ao ataque que atingiu o Hospital Árabe al-Ahli, na cidade de Gaza.

A explosão terá matado centenas de palestinianos que tinham procurado abrigo no hospital. Ainda não se sabe quem esteve na origem do ataque.

"As cenas do hospital de al-Ahli são horríveis e angustiantes. Não há qualquer desculpa para atingir um hospital cheio de civis", afirmou von der Leyen.

"Todos os factos têm de ser apurados e os responsáveis têm de ser responsabilizados. Nesta hora trágica, devemos todos redobrar os nossos esforços para proteger os civis da fúria desta guerra", acrescentou a presidente do executivo comunitário.

As palavras e ações de Ursula von der Leyen têm sido objeto de intenso escrutínio, nos últimos dez dias, com os críticos a censurarem-na por expressar um apoio firme a Israel, sem sublinhar a necessidade de respeitar o direito internacional e de exercer contenção.

A sua deslocação a Israel, na passada sexta-feira, durante a qual se encontrou com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, contribuiu para aumentar a censura. No dia seguinte, von der Leyen emitiu uma breve declaração em que apoiava "o direito de Israel a defender-se dos terroristas do Hamas, no pleno respeito do direito humanitário internacional".

Nesta sessão plenária, a chefe da Comissão enfrentou os eurodeputados pela primeira vez, desde o início da guerra, e usou a oportunidade para defender a sua reação à situação que evolui muito rapidamente.

"Não há contradição entre ser solidário com Israel e agir em função das necessidades humanitárias dos palestinianos", afirmou.

Só se reconhecermos a dor de Israel e o seu direito a defender-se é que teremos a credibilidade para dizer que Israel deve reagir como uma democracia, em conformidade com o direito humanitário internacional.
Ursula von der Leyen
Presidente da Comissão Europeia

Von der Leyen criticou os "hediondos ataques terroristas" lançados pelo Hamas "com o objetivo explícito de erradicar a vida judaica" e descreveu Israel como "chocado até ao âmago" pelo "puro mal" desencadeado contra a nação.

"Penso que era importante transmitir esta mensagem de solidariedade pessoalmente, em Israel, poucos dias após o ataque do Hamas", afirmou, referindo-se à sua deslocação.

"Só se reconhecermos a dor de Israel e o seu direito a defender-se é que teremos a credibilidade para dizer que Israel deve reagir como uma democracia, em conformidade com o direito humanitário internacional. E que é crucial proteger as vidas dos civis, mesmo e especialmente no meio de uma guerra", explicou.

A ajuda humanitária

A presidente, que não abordou explicitamente as críticas de que foi alvo, afirmou que a sua visita incluiu discussões sobre "os esforços de Israel para proteger a vida dos civis" e prometeu que a posição da UE como o maior doador de ajuda aos palestinianos "não irá mudar".

Recentemente, a UE triplicou o valor da ajuda humanitária para 75 milhões de euros e criou uma ponte aérea que permite levar mantimentos para o Egipto, e depois enviá-los para Gaza, embora a fronteira continue fechada.

"O financiamento da UE nunca foi para o Hamas ou para qualquer entidade terrorista. O que o Hamas fez não tem nada a ver com as aspirações legítimas do povo palestiniano", disse a presidente, sublinhando a urgência de fazer a revisão dos fundos para o desenvolvimento.

Von der Leyen encerrou a sua intervenção com um aviso sobre o aumento dos incidentes anti-semitas na Europa, e a propagação do discurso de ódio online em reação à guerra entre Israel e o Hamas. O executivo abriu ma investigação formal à rede social X, antigo Twitter, sobre a forma como a plataforma lidou com a desinformação e os conteúdos terroristas violentos.

"É nossa responsabilidade comum garantir que o nosso passado sombrio não regressa", afirmou. "Temos de proteger a vida judaica na Europa".

A paz não virá sozinha

O debate sobre o Médio Oriente no Parlamento Europeu contou, também, com a intervenção de Josep Borrell, responsável pela política externa da UE, que adotou uma posição mais crítica em relação à ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza.

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"O direito à auto-defesa, como qualquer outro direito, tem limites. Neste caso, são os limites estabelecidos pelo direito internacional e, em particular, pelo direito humanitário internacional", disse Borrell aos eurodeputados.

"Condenar uma tragédia não nos deve impedir de condenar outra tragédia", acrescentou, "mostrar a nossa simpatia pelas vítimas de ataques terroristas não nos deve impedir de mostrar os nossos sentimentos pelos outros mortos", explicou.

Para reforçar a posição comum da UE, Borrell propôs quatro princípios: firmeza para denunciar o Hamas e exigir a libertação dos reféns, humanidade para com a população civil de Gaza, coerência política para falar a uma só voz e compromisso político para resolver as causas profundas do conflito israelo-palestiniano e promover uma "paz justa".

Desde os Acordos de Oslo até agora, o número de colonos israelitas (nos) territórios ocupados triplicou. E o espaço para um possível Estado palestiniano encolheu e transformou-se num labirinto de espaços separados uns dos outros.
Josep Borrell
Chefe da diplomacia da UE

"A paz entre os países árabes e Israel, que é uma boa notícia, não significa automaticamente a paz entre Israel e a Palestina, que também tem de ser alcançada. Enquanto não houver paz, não haverá um exército suficientemente poderoso para garantir a paz de Israel. Mas a paz não virá sozinha, a paz precisa de ser construída", acrescentou.

Borrell invocou o espírito dos Acordos de Oslo, assinados em 1993, que abriram caminho para a autonomia palestiniana, mas que nunca foram totalmente implementados, deixando o processo de paz incompleto. Estes acordos deveria ser o prelúdio da solução de dois Estados soberanos.

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"Desde os Acordos de Oslo até agora, o número de colonos israelitas (nos) territórios ocupados triplicou. E o espaço para um possível Estado palestiniano encolheu e transformou-se num labirinto de espaços separados uns dos outros", afirmou.

"Mas mesmo que a solução (de dois Estados) pareça distante, não temos mais nada. Qual é a alternativa? Se não houver dois Estados, só pode haver um, e que tipo de vida haveria nesse Estado? Em que condições?", questionou.

Para o diplomata, a melhor maneira de a Europa honrar os mortos "de um lado e do outro" é dar o impulso político necessário para relançar as negociações de paz no quadro das Nações Unidas.

"A forma como comunicamos a nossa posição neste conflito vai determinar o papel da Europa no mundo, durante muitos anos", disse Borrell.

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