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UE: Orbán contra dar 50 mil milhões de euros à Ucrânia e Fico fala de corrupção

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ao lado do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, durante uma cimeira de líderes da UE em Bruxelas.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ao lado do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, durante uma cimeira de líderes da UE em Bruxelas. Direitos de autor Omar Havana/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Omar Havana/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
De  Jorge Liboreiro
Publicado a Últimas notícias
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Artigo publicado originalmente em inglês

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, pronunciou-se contra um plano de 50 mil milhões de euros de apoio à Ucrânia, enquanto o homólogo eslovaco, Robert Fico, manifestou-se preocupado com o nível de corrupção no país em guerra, durante a cimeira da UE, em Bruxelas.

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"A Comissão Europeia quer mais dinheiro para o dar à política de integração (de migrantes) e aos ucranianos", disse Viktor Orbán à chegada ao Conselho Europeu, em Bruxelas. "Não apoiamos nenhum delas, faltam argumentos profissionais e políticos, vamos rejeitá-los", acrescentou o ptimeiro-ministro húngaro.

Essa oposição já era esperada devido a declarações anteriores e ao recente e controverso encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, na China, e foi isso mesmo que disse aos líderes, numa primeira troca de pontos de vista desde que a Comissão Europeia propôs o Mecanismo para a Ucrânia, em junho.

O Mecanismo para a Ucrânia no valor de 50 mil milhões de euros, até 2027, prevê 33 mil milhões de euros em empréstimos a juros baixos e 17 mil milhões de euros em subvenções não têm de ser rembolsadas.

Este mecanismo faz parte de uma proposta de revisão do orçamento pluranual da União Europeia (UE) até 2027, com a Comissão Europeia a pedir que seja reforçado em 100 mil milões de euros. Qualquer alteração ao orçamento requer voto por unanimidade dos 27 Estados-membros, o que permite usar o direito de veto para obter algumas "concessões".

Líder eslovaco preocupado com corrupcão na Ucrânia

Por seu lado, Robert Fico, o recém-empossado primeiro-ministro da Eslováquia, mostrou-se preocupado com os elevados níveis de corrupção na Ucrânia e pediu salvaguardas adicionais para garantir que o dinheiro da UE não é "desviado".

"A Ucrânia é um dos países mais corruptos do mundo e o seu apoio financeiro brutal está condicionado a garantias de que o dinheiro europeu, incluindo o eslovaco, não será desviado", escreveu Fico numa publicação no Facebook, publicada sexta-feira, referindo que os recursos deveriam ser utilizados para ajudar as empresas eslovacas na reconstrução da Ucrânia.

As reservas do primeiro-ministro Fico, no entanto, não foram interpretadas como um "não" categórico e deixaram a porta aberta para uma possível aprovação do plano de 50 mil milhões de euros, desde que as salvaguardas sejam postas em prática, disseram vários diplomatas à Euronews.

A corrupção é considerada enraizada na economia e na sociedade ucranianas, estando o país classificado em 116º lugar entre 180 no Índice de Perceção da Corrupção da Transparência Internacional. O reforço da luta contra a corrupção é uma das sete condições prévias que a Comissão Europeia estabeleceu para fazer avançar a candidatura de Kiev à adesão à UE.

Menos ajuda militar?

O facto de Robert Fico não se ter oposto frontalmente ao Mecanismo Ucrânia foi recebido com um certo alívio na sala, uma vez que o líder eslovaco tinha anunciado, poucas horas antes do início da cimeira, que o seu país deixaria de fornecer assistência militar à Ucrânia numa base bilateral, cumprindo uma das suas promessas eleitorais.

A guerra na Ucrânia não é nossa, não temos nada a ver com ela. Uma paragem imediata das operações militares é a melhor solução para a Ucrânia. A UE deve deixar de ser um fornecedor de armas e passar a ser um pacificador.
Robert Fico
Primeiro-ministro, Eslováquia

O líder sublinhou que o seu governo de coligação apenas dará luz verde à "ajuda humanitária e civil" às autoridades ucranianas, que se encontram no meio de uma dura contraofensiva contra as forças invasoras russas.

"A guerra na Ucrânia não é nossa, não temos nada a ver com ela", declarou na quinta-feira. "Uma paragem imediata das operações militares é a melhor solução para a Ucrânia. A UE deve deixar de ser um fornecedor de armas e passar a ser um pacificador", defendeu.

O Mecanismo de Apoio à Ucrânia não inclui assistência humanitária nem militar, centrando-se antes no apoio macrofinanceiro para colmatar os buracos no orçamento de Kiev, apoiar serviços essenciais, reconstruir infra-estruturas críticas e acelerar reformas fundamentais.

Mas mesmo que o líder eslovaco acabe por ser convencido a assinar, a resistência de Orbán pode fazer descarrilar a revisão do orçamento e colocar no limbo o apoio do bloco à Ucrânia. Budapeste tem retido desde maio uma tranche de 500 milhões de euros de ajuda militar da UE a Kiev, um impasse que Bruxelas não conseguiu resolver.

A primeira-ministra da Estónia, Kaja Kallas, um das maiores apoiantes da Ucrânia, disse que "foram feitas perguntas" a Orbán e Fico durante as conversações à porta fechada entre os líderes.

"Como é que vêem o futuro? Se não ajudarmos a Ucrânia, qual é realmente a alternativa? Quero dizer, a Rússia ganha. O que acontece a seguir? Porque é que pensam que estão seguros, se abandonarmos a Ucrânia e não a apoiarmos neste momento?", questionou Kallas. "Esta é uma pergunta que não tem resposta. Por isso, penso que temos de continuar a falar", disse a líder.

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