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UE poderá falhar promessa de entregar um milhão de munições à Ucrânia

Ministros à chegada ao Conselho Europeu para reunião de Defesa
Ministros à chegada ao Conselho Europeu para reunião de Defesa Direitos de autor AP Photo/Virginia Mayo)
Direitos de autor AP Photo/Virginia Mayo)
De  Isabel Marques da SilvaMaria Psara com Lusa, AP
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A União Europeia (UE) tem dificuldade em produzir e enviar as munições que prometeu à Ucrânia: um milhão de cartuchos até março de 2024. Numa reunião em Bruxelas, terça-feira, os ministros da Defesa debateram como acelerar a produção para não falhar na promessa.

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"A questão de saber se enviar um milhão era realista era uma questão acertada. Houve vozes a pedir cautela. O dinheiro existe, mas a produção tem de acelerar. Infelizmente, as vozes que pediam cautela estão certas", disse Boris Pistorius, ministro da Defesa da Alemanha, à imprensa.

"Temos acordos-quadro e continuaremos a trabalhar. Estamos em conversações com a indústria da defesa, mas temos de assumir que o objetivo de um milhão poderá não ser atingido", acrescentou.

Até agora foram enviados 300 mil cartuchos ao governo de Kiev. A artilharia ucraniana utiliza cerca de 45 mil cartuchos por semana, pelo que, em dois meses, toda a produção anual da UE poderá ser consumida.

Um dos problemas na indústria da defesa é que precisa de garantias dos Estados-membros de que não vai investir na linha de produção de forma injustificada. Temem que, ao fim de dois anos, os Estados-membros digam: "Não precisamos de mais munições.
Nikos Votsios
Brigadeiro-general reformado e consultor de defesa, Grécia

As reservas dos Estados-membros estão esgotadas e a indústria de defesa não tem capacidade para produzir ao ritmo necessário. O grau de investimento a fazer e a forma de obter as verbas necessárias é também um problema, apesar dos países adotarem um sistema de compras conjuntas.

"Um dos problemas na indústria da defesa é que precisa de garantias dos Estados-membros de que não vai investir na linha de produção de forma injustificada. Temem que, ao fim de dois anos, os Estados-membros digam: "Não precisamos de mais munições". Por isso, precisam de contratos a longo prazo", explicou, à euronews, Nikos Votsios, brigadeiro-general grego reformado e consultor de defesa.

"As grandes indústrias podem obter financiamento nos mercados internacionais ou dispor dos seus próprios recursos para investir, mas as menores devem recorrer às instituições bancárias europeias. Mas os bancos europeus não concedem empréstimos às indústrias de defesa em resultado da nova taxonomia que as classifica como não sustentáveis", acrescentou o analista.

Vontade política?

Há um grande consenso nacional sobre a nossa ajuda à Ucrânia e, de uma forma geral, concordamos que é algo que tem de ser feito. A mensagem foi a de uma continuidade do apoio à Ucrânia.
Helena Carreiras
Ministra da Defesa, Portugal

A falta de mão de obra qualificada e de maquinaria adequada são fatores logísticos que também atrasam a produção de munições. Mas o comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, insiste que a promessa pode ser cumprida se houver vontade política.

"O objetivo de produzir mais de um milhão de munições, numa base anual, a entregar até a primavera, será atingido. Agora cabe aos Estados-mmebros fazerem as encomendas", disse o comissário à imprensa.

Uma forma de obter mais munições poderá ser dar prioridade à Ucrânia, redirecionando parte das 40% de exportações que a UE envia para outros países.

O governo dos EUA alertou que a Rússia já está a receber abastecimento da Coreia do Norte, que entregou mais de mil contentores de equipamento militar e munições.

Portugal mantém o apoio

A ministra da Defesa portuguesa, Helena Carreiras, garantiu que o país manterá o apoio à Ucrânia e que não será afetado durante o período do Governo de gestão, devido às eleições de março, reafirmando "o compromisso" do país.

"Há um grande consenso nacional sobre a nossa ajuda à Ucrânia e, de uma forma geral, concordamos que é algo que tem de ser feito", declarou Helena Carreiras.

"Aliás, nesta reunião de ministros da Defesa, acabei por reafirmar esse nosso compromisso de apoio à Ucrânia, dando conta daquilo que estamos a fazer e que vai sendo informado e disponibilizado na nossa página, também manifestando a nossa permanência nas coligações em que estamos de apoio à Ucrânia, o trabalho na missão Europeia [...] e, portanto, a mensagem foi a de uma continuidade do apoio à Ucrânia", explicou.

A ministra diz que se manterá no cargo até ao fim do mandato: "Exercerei a minha função com os limites que essa que essa situação de gestão impõe, mas sim em plenitude, naturalmente", concluiu.

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