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Regresso de Donald Trump pode deixar a Europa "sozinha", alerta De Croo

Alexander de Croo, primeiro-ministro belga, no Parlamento Europeu em Estrasburgo
Alexander de Croo, primeiro-ministro belga, no Parlamento Europeu em Estrasburgo Direitos de autor Eric VIDAL/ European Union 2024 - Source : EP
Direitos de autor Eric VIDAL/ European Union 2024 - Source : EP
De  Mared Gwyn Jones
Publicado a Últimas notícias
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Artigo publicado originalmente em inglês

O potencial regresso de Donald Trump à Casa Branca, nas eleições dos EUA, em novembro de 2024, poderá deixar a Europa "por sua conta" na defesa de certos valores políticos, afirmou o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo.

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"Se, em 2024, voltarmos a ter a América em primeiro lugar, a Europa estará mais do que nunca sozinha", afirmou Alexander De Croo, terça-feira, na primeira sessão plenária do ano, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França).

O líder belga afirmou que a Europa não deve "temer" a perspetiva de um regresso de Trump: "Devemos abraçá-la, colocando a Europa numa base mais sólida, mais forte, mais soberana e mais autossuficiente", acrescentou.

O seu aviso foi feitos depois da vitória esmagadora de Donald Trump no caucus (seleção ao nível das primárias do Partido Republicano), no estado do Iowa - um primeiro passo decisivo para se tornar o candidato presidencial republicano de 2024.

Uma vitória dos republicanos nas eleições presidenciais  de novembro ameaça perturbar a política fortemente alinhada do Ocidente em relação à Ucrânia.

Os EUA são o maior doador de ajuda militar e financeira ao governo de Kiev, mas o apoio foi interrompido devido aos apelos de alguns membros do Partido Republicano para reduzir os pagamentos.

Para os Estados Unidos e para outros aliados, o apoio à Ucrânia é uma questão estratégica, é uma consideração geopolítica. Para nós, europeus, o apoio à Ucrânia é existencial.
Alexandre De Croo
Primeiro-ministro, Bélgica

Esta situação colocou ainda mais pressão sobre a UE, que tenta aprovar o seu fundo de 50 mil milhões de euros para a Ucrânia, depois de o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ter usado o seu veto para bloquear a proposta em dezembro. 

Os Estados-membros estão, atualmente, a preparar concessões a Orbán na esperança de dar luz verde ao plano durante uma cimeira extraordinária, a 1 de fevereiro.

Na segunda-feira, Orban felicitou Trump pela sua vitória no caucus do Iowa.

Mas De Croo, cujo governo detém a presidência rotativa de seis meses do Conselho da UE, advertiu que o futuro da Europa depende da guerra na Ucrânia.

"Para os Estados Unidos e para outros aliados, o apoio à Ucrânia é uma questão estratégica, é uma consideração geopolítica. Para nós, europeus, o apoio à Ucrânia é existencial", disse De Croo, aos eurodeputados.

"O apoio à Ucrânia é existencial e está no cerne da nossa segurança e da nossa prosperidade", acrescentou.

No início deste mês, o comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, revelou que, enquanto presidente dos EUA em 2020, Trump disse à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que os EUA não ajudariam a Europa se esta fosse atacada.

"Tem de compreender que, se a Europa estiver sob ataque, nunca iremos ajudá-la e apoiá-la", disse Trump, durante o Fórum Económico Mundial, de 2020, em Davos, de acordo com Breton, acrescentando que "a propósito, a NATO está morta".

O aviso de Trump foi feito dois anos antes de a Rússia ter deslocado as suas tropas para a Ucrânia, o que levou a aliança da NATO a fornecer apoio militar e financeiro sem precedentes a Kiev, e a Finlândia e a Suécia a romperem com a sua política de neutralidade de décadas para pedir para se juntar às fileiras da aliança.

Tensão comercial

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Os altos funcionários de Bruxelas também receiam que um regresso de Trump possa significar o fim de uma recente pausa nas tensões comerciais entre a UE e os EUA e que  afete a economia europeia.

A administração Trump impôs tarifas sobre o aço e o alumínio da UE que entram nos EUA em 2018, alegando que os produtos fabricados no estrangeiro eram uma ameaça à segurança nacional. Uma trégua acordada com a administração Biden para resolver o litígio foi recentemente prorrogada por mais 15 meses.

Trump prometeu que, se for eleito presidente em 2024, aplicará um imposto de 10% sobre todas as importações estrangeiras e taxas ainda mais elevadas sobre os produtos provenientes da China.

Entretanto, os estados norte-americanos do Colorado e do Maine proibiram-no de se candidatar à presidência pelo seu papel nos motins do Capitólio, em janeiro de 2021. Espera-se que Trump conteste as decisões.

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A confortável vantagem do ex-presidente sobre os rivais republicanos significa que ele ainda pode vencer sem se candidatar nesses dois estados - mas seu status de líder pode ser desafiado se outros estados seguirem o exemplo do Colorado e do Maine.

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