Com o início da segunda volta das eleições antecipadas em França, ninguém tem a certeza se um governo de direita chegará ao poder ou se haverá um parlamento suspenso. Às 12 horas, a taxa de participação foi de 26,63%.
Começou a votação em França para a segunda volta das eleições, que poderá dar uma vitória histórica ao Rassemblement Nacional (RN) de Marine Le Pen, partido de extrema-direita, ou resultar num parlamento suspenso e em anos de impasse político.
Às 17 horas (hora de Paris), a afluência às urnas foi de 59,71%, um pouco mais do que na primeira ronda (59,39%).
Às 12 horas de domingo (hora de Paris), a taxa de participação foi de 26,63%. Na primeira volta, que teve lugar na semana passada, à afluência às urnas foi: 25.90%, à mesma hora. Às 5h00 foi: 59.39%, e às 8h00 da noite fixou-se nos 66,71%.
A primeira volta das eleições, em 30 de junho, registou os maiores ganhos de sempre para o RN.
A votação de domingo determina qual o partido que controla a Assembleia Nacional e quem será o primeiro-ministro.
Se o apoio à fraca maioria centrista de Macron continuar a diminuir, ele será forçado a partilhar o poder com partidos que se opõem à maioria das suas políticas pró-empresariais e pró-União Europeia.
30.000 polícias mobilizados
O racismo e o antisemitismo marcaram a campanha eleitoral, juntamente com as cibercampanhas russas, e mais de 50 candidatos relataram ter sido atacados fisicamente - o que é muito invulgar em França.
O governo vai destacar 30.000 polícias para o dia das eleições, "para que a extrema-esquerda ou a extrema-direita" não criem "desordem", anunciou na quinta-feira o ministro do Interior, Gérald Darmanin.
"Está a acontecer algo que beira a libertação da violência", disse Darmanin numa entrevista à France 2, na quinta-feira, após um ataque à porta-voz do governo, Prisca Thévenot.
O aumento das tensões ocorre enquanto a França celebra os Jogos Olímpicos e a equipa nacional de futebol chega à semifinal do campeonato Euro 2024, bem como a Volta à França que percorre o país ao lado da tocha olímpica.
Entretanto, 49 milhões de eleitores estão a meio das eleições mais importantes do país em décadas.
A França poderá ter o seu primeiro governo de extrema-direita desde a ocupação nazi na Segunda Guerra Mundial, se o Rassemblement Nacional obtiver a maioria absoluta e o seu líder Jordan Bardella, de 28 anos, se tornar primeiro-ministro.
O partido ficou em primeiro lugar na primeira volta das eleições da semana anterior, seguido por uma coligação de partidos de centro-esquerda, de extrema-esquerda e dos Verdes, e pela aliança centrista de Macron.
Resultado ainda muito incerto
As sondagens entre as duas voltas sugerem que o Rassemblement Nacional poderá ganhar o maior número de lugares na Assembleia Nacional de 577 lugares, mas ficará aquém dos 289 lugares necessários para uma maioria.
Se obtiver a maioria, Macron será forçado a partilhar o poder, numa situação incómoda conhecida em França como "coabitação".
Outra possibilidade é que nenhum partido tenha a maioria, resultando num parlamento suspenso.
Isso poderia levar Macron a prosseguir as negociações de coligação com o centro-esquerda ou a nomear um governo tecnocrático sem filiações políticas.
Ambas as situações seriam sem precedentes na França moderna e tornariam mais difícil para a segunda economia da União Europeia tomar decisões ousadas sobre o armamento da Ucrânia, a reforma das leis laborais ou a redução do seu enorme défice.
Os mercados financeiros têm estado nervosos desde que Macron surpreendeu até os seus aliados mais próximos, em junho, ao anunciar eleições antecipadas, depois de o Rassemblement Nacional ter conquistado o maior número de lugares em França nas eleições para o Parlamento Europeu.
Muitos eleitores franceses, especialmente nas pequenas cidades e nas zonas rurais, estão frustrados com os baixos rendimentos e com uma liderança política parisiense vista como elitista e alheia às lutas quotidianas dos trabalhadores.
O RN tem-se ligado a esses eleitores, muitas vezes culpando a imigração pelos problemas da França, e tem conseguido um apoio amplo e profundo ao longo da última década.
As eleições terminam no final de domingo
Le Pen suavizou muitas das posições do partido. Já não defende a saída da NATO e da UE, por exemplo.
A segunda volta das eleições começou no sábado nos territórios ultramarinos franceses, desde o Pacífico Sul até às Caraíbas, Oceano Índico e Atlântico Norte.
As eleições terminam no domingo, às 20 horas, em França continental. As primeiras projecções das sondagens são esperadas no domingo à noite, com os primeiros resultados oficiais previstos para o final de domingo e início de segunda-feira.
Macron disse que não se vai demitir e que vai continuar a ser presidente até ao fim do seu mandato, em 2027.
*em Atualização