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ICE não será responsável pela segurança dos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026

Anéis olímpicos são projectados na fachada de um edifício em frente à catedral gótica Duomo, em Milão, Itália, quarta-feira, 28 de janeiro de 2026. (AP Photo/Luca Bruno)
Anéis olímpicos são projectados na fachada de um edifício em frente à catedral gótica Duomo, em Milão, Itália, quarta-feira, 28 de janeiro de 2026. (AP Photo/Luca Bruno) Direitos de autor  AP Photo
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De Noa Schumann
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Em 27 de janeiro, a controversa agência norte-americana ICE anunciou que o seu braço de investigação estaria envolvido no apoio à segurança dos Jogos Olímpicos de inverno de Milão-Cortina 2026. O anúncio suscitou protestos políticos, mas qual é a verdade por detrás da indignação?

A controvérsia começou depois de ter sido noticiado que agentes da agência norte-americana Immigration and Customs Enforcement (ICE) estariam presentes nos Jogos Olímpicos de inverno de 2026, em Itália.

Os partidos da oposição de centro-esquerda alertaram para o facto de a ICE poder vir a participar nas medidas de segurança em solo italiano, à medida que os jogos forem decorrendo - uma alegação que rapidamente ganhou força no contexto de um maior escrutínio da ICE nos EUA.

Em declarações à estação de rádio italiana RTL 102.5, o presidente da Câmara de Milão, Giuseppe Sala, assumiu uma posição firme contra qualquer medida desse tipo, descrevendo o ICE como "uma milícia que mata, que entra nas casas das pessoas assinando os seus próprios mandatos" e acrescentando que era, portanto, "claro que não são bem-vindos em Milão."

O ICE é um ator-chave na iniciativa de deportação em massa do presidente Donald Trump, com o poder de deter e prender pessoas suspeitas de estarem ilegalmente nos EUA.

Nas últimas semanas, o ICE tornou-se profundamente controverso devido aos disparos fatais contra civis durante as recentes operações de aplicação da lei em Minneapolis, que provocaram protestos e reações políticas a nível nacional.

Inicialmente, as autoridades italianas negaram a presença de agentes do ICE, mas mais tarde minimizaram o seu papel, afirmando que estariam envolvidos apenas na proteção da delegação americana. Esta delegação deverá incluir o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado Marco Rubio, que deverão participar na cerimónia de abertura em Milão, a 6 de fevereiro.

O anúncio provocou protestos dos partidos de esquerda italianos, com manifestantes a segurarem cartazes a dizer "ICE OUT" no Conselho Regional da Lombardia. Entretanto, o antigo primeiro-ministro Giuseppe Conte afirmou no X que a Itália deveria "estabelecer as suas próprias fronteiras", acusando o ICE de querer "vir garantir a segurança" no país.

Os comentários referem-se a uma declaração dada pela ICE à AFP, na qual a agência afirmou que a sua unidade de Investigações de Segurança Interna (HSI) iria apoiar o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA e cooperar com as autoridades italianas para avaliar e mitigar os riscos ligados a organizações criminosas transnacionais durante os Jogos Olímpicos.

No entanto, a mesma declaração exclui explicitamente qualquer papel de controlo da imigração no estrangeiro e sublinha que todas as operações de segurança dos Jogos Olímpicos permanecerão sob a autoridade do Estado italiano.

Entretanto, foi lançada na Alemanha uma petição dirigida por cidadãos que apela à proibição de agentes do ICE viajarem na União Europeia. Até à data, a petição já reuniu cerca de 83 mil assinaturas.

Qual será realmente o papel do ICE nos Jogos Olímpicos de inverno de 2026?

O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, rejeitou firmemente as acusações de que o ICE irá desempenhar um papel nos esforços de segurança italianos nos Jogos Olímpicos de inverno.

Tajani afirmou que "não é função do ICE garantir a segurança física" do presidente Trump, do vice-presidente JD Vance ou do secretário de Estado Marco Rubio - uma tarefa que cabe aos Serviços Secretos dos EUA.

O ministério do Interior italiano reiterou que "todas as operações de segurança territorial permanecerão sob a exclusiva responsabilidade e direção das autoridades italianas."

Na sequência de uma reunião entre o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, e o Embaixador dos EUA em Itália, o ministério esclareceu que o pessoal do ICE presente seria apenas investigador doHomeland Security Investigations (HSI), sem poderes operacionais.

A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, à esquerda, e o ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, reuniram-se na sede do Ministério do Interior. (AP Photo/Alex Brandon, Pool)
A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, à esquerda, e o ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, reuniram-se na sede do Ministério do Interior. (AP Photo/Alex Brandon, Pool) AP Photo

"É importante recordar que os investigadores do HSI não serão agentes operacionais como os que estão afetados aos controlos de imigração nos Estados Unidos", refere o comunicado. "Não terão responsabilidades específicas em Itália e irão principalmente consultar as suas bases de dados e fornecer apoio analítico a outras partes interessadas."

O Comité Olímpico Internacional disse à equipa de verificação de factos da Euronews, O Cubo, que "a segurança nos Jogos Olímpicos é da responsabilidade das autoridades do país anfitrião, que trabalham em estreita colaboração com as delegações participantes."

Tajani desvalorizou a controvérsia numa entrevista ao jornal italiano L'Espresso, dizendo "Não é que as SS estejam prestes a chegar".

Um acordo de rotina

Este tipo de cooperação não é invulgar em grandes eventos internacionais que envolvem delegações estrangeiras de alto nível.

É comum que o Departamento de Segurança Interna dos EUA e outras agências de aplicação da lei nacionais forneçam apoio de segurança em grandes eventos no estrangeiro, trabalhando em conjunto com os países anfitriões.

Numa declaração, a embaixada dos EUA em Itália afirmou que o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado foi, em Jogos Olímpicos anteriores, apoiado por várias agências federais, incluindo o HSI.

De facto, foram tomadas medidas semelhantes para os Jogos Olímpicos de verão de Paris 2024. Cerca de 35 mil polícias e gendarmes franceses foram destacados para toda a capital, apoiados por agentes da autoridade estrangeiros convidados por França.

Mais de 1750 agentes da polícia de 44 países - incluindo a Alemanha, Reino Unido, Qatar e Estados Unidos - prestaram assistência às unidades francesas de polícia e de gendarmaria, principalmente em funções de aconselhamento, de ligação e especializadas.

A contribuição dos EUA incluiu pessoal de quatro agências de aplicação da lei, entre as quais agentes do Departamento de Polícia de Nova Iorque.

Foram também destacadas unidades K-9 especializadas, incluindo cães treinados para a deteção de explosivos.

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