As pistolas personalizadas distribuídas pelo presidente turco na cimeira da NATO desta semana parecem ser presentes que continuam a dar frutos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vai doar a pistola que lhe foi oferecida pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, a um museu militar na capital belga, assim que a arma chegar a Bruxelas.
Olof Gill, porta-voz principal adjunto da Comissão Europeia, afirmou que von der Leyen apresentou os seus agradecimentos ao líder turco pela oferta feita no final da cimeira anual da NATO, em Ancara, na quarta-feira.
A arma de fogo será transportada e guardada em segurança e, depois de desativada, é intenção da presidente doá-la a um museu militar, explicou, em resposta a uma pergunta da Euronews.
A arma terá de ser desativada para garantir que não pode disparar munições reais.
Fonte do Conselho Europeu adiantou que a pistola do presidente do Conselho Europeu, António Costa, será importada em conformidade com a legislação belga. Depois, a arma será desativada e armazenada de acordo com os requisitos de segurança do secretariado-geral do Conselho.
O primeiro-ministro cessante do Reino Unido, Keir Starmer, disse na quarta-feira que Erdoğan ofereceu a cada líder presente uma pistola personalizada com o respetivo nome, acompanhada de uma caixa de munições e de uma nota que dispensava os controlos de exportação turcos.
Starmer explicou que deixou a sua arma na Turquia para ser desativada, por ser ilegal importar uma arma de fogo funcional para o Reino Unido. Também é ilegal importar para a Bélgica uma arma de fogo operacional sem a devida autorização.
Meios de comunicação belgas indicaram que o primeiro-ministro, Bart De Wever, também recebeu um revólver funcional com munições.
De acordo com o jornal HLN, a arma entrou inadvertidamente na Bélgica e o conteúdo da oferta só foi descoberto na placa do aeroporto, após a aterragem na localidade flamenga de Melsbroek. A arma terá sido então entregue à polícia da aviação.
Von der Leyen e Costa participaram na quarta-feira num jantar de trabalho com Erdoğan, no complexo presidencial, durante o qual terão abordado as relações bilaterais UE-Turquia, bem como temas que vão da defesa à migração, mobilidade, comércio e política industrial.
Antes do encontro, levantaram-se questões sobre o que estaria em cima da mesa e se seria possível uma reaproximação entre von der Leyen e Erdoğan, apesar de incidentes anteriores.