Polícia de Paris está a aplicar novas regras que obrigam utilizadores de trotinetes elétricas a usar capacete e equipamento refletor, após aumento de acidentes com estes veículos.
Paris está a apertar as regras para utilizadores de meios de transporte elétricos ligeiros, como trotinetes elétricas, Segways e skates elétricos, numa altura em que os acidentes envolvendo estes dispositivos continuam a aumentar na capital francesa.
Agentes da polícia lançaram uma operação específica na cidade para fazer cumprir a nova obrigatoriedade de utilização de capacete e equipamento refletor, em vigor desde 7 de agosto.
Quem for apanhado sem capacete arrisca agora uma multa de 135 euros, enquanto os utilizadores sem elementos refletores podem ser multados em 35 euros.
Hélène Denéchère, porta-voz do comando da polícia de Paris, sublinhou a necessidade das novas medidas.
“Desde o início do ano, 136 acidentes com feridos envolveram veículos deste tipo, uma subida de 12 %. É, por isso, a única categoria de utilizadores da via pública em Paris em que os acidentes com vítimas estão a aumentar”, explicou.
Denéchère referiu que, embora alguns utilizadores já cumpram, outros encaram as regras como um peso adicional. Mas insistiu que “usar capacete reduz a gravidade destes acidentes”.
Em Paris, a reação pública continua dividida.
Pierre Thoribé, que se desloca com estes dispositivos, reconheceu a necessidade do equipamento, apesar de ter sido apanhado sem o usar.
“Para mim é perfeitamente natural usar capacete, que hoje não tenho… É excecional. Esqueci-me do capacete”, afirmou.
O programador informático Igor Monteiro, que já utiliza proteção na cabeça, elogiou a fiscalização.
“Para mim é muito positivo. É normal se queremos segurança. Sempre usei… Para mim é normal”, disse, acrescentando que desconhecia as novas regras.
O tatuador Youssef Mourgui apelou aos restantes utilizadores para que ponderem os riscos de circular sem equipamento de proteção.
“Honestamente, para nós próprios, é melhor para a segurança. Conheço alguém que trabalha num hospital e que nos disse que recebe imensas pessoas a entrar, sempre com o crânio destruído. Há até algumas que agora estão em cadeiras de rodas”, contou Mourgui. “Não é por causa da polícia, mas, sinceramente, é melhor para a nossa saúde usar capacete.”
Para outros, as coimas parecem demasiado elevadas. Uma utilizadora de trotinete afirmou que a multa de 135 euros para quem é apanhado sem capacete é “um bocadinho cara”, acrescentando que os utilizadores já “se estão a habituar, com tudo o que está a acontecer”.
Os opositores das novas regras criticam-nas por serem demasiado restritivas e defendem que a decisão deve ficar ao critério de cada um.
“Penso que é melhor deixar as pessoas livres para fazerem o que querem. Se tiverem um acidente depois, é azar para elas”, afirmou o ciclista Romaric Bouton. “Não vamos começar a pegar todos pela mão e a obrigá-los a usar colete, capacete, só porque há tantos acidentes todos os anos. A partir daí, deixamos de ser livres para fazer o que queremos.”