Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

CERN leva antimatéria para fora do laboratório pela primeira vez

CERN realiza teste delicado ao transporte de antimatéria
Testa CERN transporte delicado de antimatéria Direitos de autor  Credit: AP Photo
Direitos de autor Credit: AP Photo
De Theo Farrant & AP
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Guardadas num contentor de alta tecnologia, arrefecido a temperaturas extremas, as partículas frágeis resistiram a uma breve viagem de camião sem contactarem com matéria normal, o que as faria desaparecer num breve clarão de energia.

Uma curta viagem de camião, um enorme salto para a física de partículas.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Cientistas levaram a antimatéria, algumas das partículas mais raras do universo, para fora do laboratório e para a estrada pela primeira vez. Fizeram-no numa experiência cuidadosamente controlada com um camião, que pode transformar a forma como é estudada.

Na Fábrica de Antimatéria do CERN, perto de Genebra, investigadores transportaram com cuidado cerca de 100 antiprotões, num camião, dentro de um contentor especialmente concebido, numa experiência de quatro horas destinada a demonstrar que podem ser deslocados em segurança.

A antimatéria é extremamente frágil. Se os antiprotões entram em contacto com matéria normal, mesmo por uma fracção de segundo, aniquilam-se e libertam energia.

Para evitar isso, os antiprotões são colocados numa caixa com cerca de um metro cúbico, conhecida como uma "armadilha transportável de antiprotões", que recorre a ímanes especiais arrefecidos a -269 graus Celsius (-452 Fahrenheit) e permite manter os antiprotões suspensos num vácuo, sem tocarem nas paredes interiores, que são feitas de... matéria.

A viagem de meia hora serviu para testar se as partículas conseguiam manter-se confinadas fora do ambiente controlado do laboratório.

Porque é importante conseguir transportar antimatéria?

Então porque é que há tanto interesse na antimatéria? Ela contém respostas para um dos maiores mistérios da ciência: porque é que o universo existe na forma atual, explicou a física de partículas Tara Shears, da Universidade de Liverpool, que não participa no projeto,

"A antimatéria é um dos maiores mistérios que temos na ciência. É, desde logo, muito rara, por isso não a conseguimos estudar muito.

"Mas contém as chaves para percebermos literalmente porque é que o universo é como é, porque, quando o universo começou a existir, metade era feita de antimatéria", disse Shears.

Um camião transporta a armadilha de antimatéria durante um teste de estrada na Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN), em Meyrin, perto de Genebra, Suíça.
Um camião transporta a armadilha de antimatéria durante um teste de estrada na Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN), em Meyrin, perto de Genebra, Suíça. Credit: AP Photo

A experiência é um primeiro passo para transportar antiprotões para laboratórios especializados noutros pontos da Europa, como a Universidade Heinrich Heine, em Düsseldorf, a cerca de oito horas de distância em condições normais de condução, para medições de grande precisão. Mas fazê-lo não é tarefa simples.

"No momento em que estes protões de antimatéria entram em contacto com matéria normal, aniquilam-se. Desaparecem num simples clarão de luz", afirmou o professor Alan Barr, da Universidade de Oxford.

Segundo o investigador, o grande desafio desta experiência é precisamente impedir que isso aconteça.

"A tecnologia aprisiona protões de antimatéria num vácuo ultrafrio, suspensos por campos elétricos e magnéticos poderosos. Impede literalmente que toquem nas paredes do contentor. Este transporte é uma prova de conceito. Mostra que, no futuro, poderemos fazer estas deslocações de forma rotineira e estudar a antimatéria em detalhe", explicou Barr.

Acrescentou que, ao tentar fazer coisas tão difíceis, "somos obrigados a inventar tecnologias que acabam por ser usadas noutros domínios. Não é por isso que fazemos isto, mas é o que acontece como efeito secundário".

Que avanços podem resultar deste desenvolvimento?

Shears considera que o CERN iniciou uma longa caminhada de descoberta científica e que, neste momento, é impossível imaginar que benefícios poderá trazer à humanidade no futuro.

"Estou certa de que terá aplicações noutros domínios. Simplesmente não lhe consigo dizer, por agora, quais serão, porque ainda não pensámos nelas. Mas vamos pensar", afirmou.

A Universidade Heinrich Heine é considerada um local mais adequado para estudar em profundidade os antiprotões, porque o CERN, com todas as suas outras atividades, gera muitas interferências magnéticas que podem distorcer o estudo da antimatéria.

Mas, para lá chegarem, esses antiprotões não podem tocar em nada durante o percurso.

Ainda há trabalho pela frente: a armadilha tem, por enquanto, no máximo quatro horas de autonomia e a viagem até Düsseldorf demora o dobro.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

China abre primeira estação de voluntariado gerida por robots num parque público

CERN leva antimatéria para fora do laboratório pela primeira vez

Que país lidera a inovação na Europa na corrida às patentes?