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Irlanda consulta cidadãos para presidência da UE

ARQUIVO - Bandeiras da Irlanda e da União Europeia junto ao edifício da Alfândega, no centro de Dublin, Irlanda, 13 de dezembro de 2013
ARQUIVO – Bandeira irlandesa e bandeira da União Europeia frente ao edifício Custom House, no centro de Dublin, Irlanda, 13 dezembro 2013. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Egle Markeviciute, EU Tech Loop with Euronews
Publicado a
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Irlanda abriu as prioridades da sua Presidência da UE a uma consulta pública online, e os resultados oferecem um modelo de governação mais transparente e inclusiva na Europa.

A cada seis meses, um Estado‑Membro da UE diferente assume a Presidência do Conselho da União Europeia, conduzindo as negociações sobre os principais dossiês de política europeia.

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Embora se incentive a realização de consultas públicas junto dos cidadãos sobre a forma como cada governo deve exercer a Presidência e sobre que dossiês devem ser prioritários, os países envolvem‑se com o público de maneiras distintas.

A maioria recorre sobretudo a consultas dirigidas e limitadas com a indústria local, o meio académico e as organizações não‑governamentais, bem como ao diálogo interinstitucional.

A forma como a Irlanda envolve a população destaca‑se como um modelo muito transparente, democrático e inclusivo, que oferece a todos os intervenientes uma oportunidade efetiva para contribuírem.

Além disso, este exercício contraria a ideia generalizada de que um Estado‑Membro dispõe de pouca margem para refletir a sua perspetiva nacional na agenda da Presidência.

Conceção da consulta

A consulta pública irlandesa foi lançada em 5 de novembro de 2025, oito meses antes da Presidência irlandesa, e prolongou‑se por cinco semanas e três dias, embora durante alguns dias após o prazo tenham sido aceites contribuições tardias.

A consulta foi anunciada publicamente em várias plataformas governamentais e não‑governamentais, incluindo sítios oficiais e comunicados de imprensa.

Foi pedido aos participantes que respondessem a quatro perguntas obrigatórias sobre o seu enquadramento e lhes foram apresentadas cinco perguntas simples, a responder em 500 palavras ou menos:

  • Pergunta 1: Que prioridades temáticas de alto nível deve a Irlanda definir para a sua Presidência do Conselho em 2026?
  • Pergunta 2: Que domínios de política e que propostas legislativas específicas devem estar no centro das atenções da Presidência irlandesa do Conselho em 2026? Que objetivos deve a Presidência irlandesa procurar alcançar nestes domínios?
  • Pergunta 3: Como pode o trabalho do Conselho durante o mandato da Presidência irlandesa gerar o impacto positivo mais significativo para pessoas, empresas e comunidades em toda a UE?
  • Pergunta 4: Como se podem comunicar da melhor forma os valores e benefícios da adesão à UE aos seus cidadãos e criar um sentido de pertença dos cidadãos em relação à Presidência do Conselho da UE assumida pela Irlanda? A quinta pergunta foi deixada em aberto para comentários adicionais.

Resultados da consulta

A consulta recebeu 484 contributos de particulares, grupos da sociedade civil, empresas, académicos e entidades representativas.

Como se indica no Anexo I do resumo da consulta, o público irlandês definiu como prioridades a competitividade (14,15 %), os valores (12,32 %) e a saúde (11,46 %).

No que respeita à competitividade, 57,8 % identificaram a simplificação como prioridade máxima, enquanto 36,2 % mencionaram o avanço tecnológico, a inovação e a investigação.

Resultados da consulta pública irlandesa.
Resultados da consulta pública irlandesa. Graph courtesy of EU Tech Loop, part of a syndication agreement with Euronews Next

Aspectos positivos

O formato aberto e inclusivo da consulta pública não só permitiu aos decisores políticos irlandeses avaliar o sentimento local e orientar em função disso as suas posições, como também aumentou a sensibilização pública e, possivelmente, estimulou o interesse pelos assuntos da UE, que normalmente despertam pouco interesse.

A simplicidade do desenho da consulta é outro elemento que merece destaque.

O processo de envio de contributos, a duração da consulta e o formato das perguntas eram claros e simples, o que permitiu que todos os segmentos da sociedade, e não apenas aqueles já profundamente envolvidos nos assuntos europeus ou públicos, participassem livremente.

Por fim, a publicação de um resumo aberto e abrangente, com 30 páginas e explicações detalhadas sobre os participantes e as suas posições, constitui uma prática transparente da qual tanto os Estados‑Membros individuais como as próprias instituições da UE podem retirar ensinamentos.

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