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Açores: Ryanair ameaça cortar todos os voos de e para as ilhas a partir de 2026; impacto nas férias

Ryanair corta voos por toda a Europa e pode em breve reduzir voos para os Açores
Ryanair corta voos em toda a Europa e pode reduzir ligações aos Açores em breve Direitos de autor  Alexander Lipov/Unsplash
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De Craig Saueurs
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Companhia aérea já tinha reduzido ligações para Espanha e outros destinos em Portugal, invocando aumento de impostos e taxas aeroportuárias.

A planear uma viagem económica aos Açores? As opções para lá chegar podem em breve reduzir-se.

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A Ryanair diz que vai cortar todas as rotas para as ilhas a partir de março de 2026, atribuindo a decisão ao aumento das taxas aeroportuárias, a novos impostos e àquilo a que chama “inação” do governo em Portugal.

A medida acabaria com as ligações anuais da companhia entre o arquipélago atlântico remoto e cidades como Londres, Bruxelas, Lisboa e Porto.

Porque é que a Ryanair ameaça abandonar os Açores?

A Ryanair anunciou os cortes em 20 de novembro, alegando que o “monopólio aeroportuário francês ANA” (que gere os aeroportos de Portugal sob o grupo Vinci) aumentou as taxas ao ponto de as suas rotas para os Açores deixarem de ser viáveis.

Criticou também os aumentos, após a pandemia, das taxas de controlo de tráfego aéreo e a taxa de viagem de 2 euros por passageiro.

A companhia diz que as taxas aeroportuárias em Portugal subiram até 35 por cento desde 2020, argumentando que a ANA “não tem concorrência” e pode aumentar tarifas “sem penalização”.

A Ryanair critica ainda aquilo a que chama “impostos ambientais anticoncorrenciais”, incluindo o Sistema de Comércio de Emissões da UE (ETS), que se aplica a voos intraeuropeus mas não a rotas de longo curso para destinos como os EUA ou o Médio Oriente.

Segundo o diretor comercial da Ryanair, Jason McGuinness, o aumento de custos deixa a companhia “sem alternativa” senão encerrar os serviços para os Açores e deslocar aeronaves para aeroportos de menor custo noutras partes da Europa.

A transportadora diz que se perderiam seis rotas e cerca de 400 mil passageiros por ano.

A nova disputa surge após confrontos anteriores em Portugal. Em 2023, a Ryanair reduziu capacidade em 40 rotas em Faro e no Porto, classificou de “bizarros” os aumentos fiscais previstos e avisou que as taxas de passageiro em Lisboa subiriam acentuadamente em 2024.

Ryanair corta voos pela Europa

A decisão de romper ligações com os Açores insere-se numa redução mais ampla de rotas em toda a Europa.

Em Espanha, a Ryanair já anunciou a suspensão das ligações de inverno a cidades como Vigo e Santiago de Compostela.

Na Alemanha, a companhia de baixo custo planeia eliminar várias rotas de inverno populares, incluindo para Berlim, Hamburgo e Dortmund, ao redesenhar a rede para 2026.

Em França, a Ryanair sinalizou a retirada iminente de vários aeroportos regionais, incluindo Brive, Bergerac e Estrasburgo, considerando-os “já não viáveis” com a atual estrutura de custos.

Que impacto para os viajantes?

Os Açores são um dos destinos de natureza que mais crescem na Europa, e a presença da Ryanair ajudou a manter as tarifas baixas. Se a companhia levar por diante a ameaça de cancelar todos os serviços, os viajantes poderão enfrentar menos opções e, potencialmente, preços mais altos.

Outras companhias poderão intervir para absorver parte da procura, como já aconteceu quando a Ryanair reduziu serviços para Portugal e Espanha.

Quando a Ryanair cortou as rotas para Espanha este ano, companhias rivais reagiram rapidamente, acrescentando voos para Lanzarote, Tenerife, Barcelona e outros grandes destinos turísticos para colmatar a lacuna.

Várias companhias já servem os Açores, entre elas a TAP, Iberia, Lufthansa, TUI e a companhia de baixo custo Transavia, com ligações a Lisboa, Porto, Boston, Toronto e outros destinos. À hora de publicação, nenhuma tinha anunciado planos para aumentar as rotas para as ilhas.

Para já, as mudanças são uma ameaça mais do que uma certeza. A retirada da Ryanair não começaria antes de março de 2026, o que deixa tempo para negociações.

Mas, sem substituições anunciadas e com as ilhas dependentes de voos a preços acessíveis, os viajantes poderão achar os Açores um pouco mais difíceis de alcançar no próximo ano.

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