Aeroporto Humberto Delgado já tinha sido reforçado com 80 agentes da PSP durante o período de Natal e Ano Novo.
O aeroporto de Lisboa é reforçado esta terça-feira com 24 militares da Guarda Nacional Republicana, medida aprovada pelo Governo para reduzir os tempos de espera na zona das chegadas. A informação é avançada pela agência Lusa, que assinala que não se sabe, por agora, quanto tempo vão ficar os militares da GNR a prestar serviço no Aeroporto Humberto Delgado.
O aeroporto já tinha sido reforçado com 80 agentes da PSP durante o período de Natal e Ano Novo, perante as longas filas de espera dos passageiros para entrarem no país.
Segundo Carlos Catanário, porta-voz da GNR, citado pela Lusa, os 24 militares vão trabalhar em "turnos flexíveis", compostos por equipas de 10 elementos e um supervisor, e vão estar na zona das chegadas para fazer o controlo da documentação.
A mesma fonte assinala que os militares têm formação certificada no controlo de fronteiras e receberam dois dias de formação administrativa por parte da PSP, Autoridade Nacional de Aviação Civil e ANA.
Além do reforço de meios no aeroporto, o Governo decidiu ainda, no mês passado, suspender o sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários durante três meses, para evitar esperas mais longas no aeroporto.
"Deficiências graves" no controlo de fronteiras
A Comissão Europeia levou a cabo uma avaliação sem aviso prévio ao aeroporto de Lisboa entre 15 e 17 de dezembro e concluiu que há "deficiências graves" no controlo de segurança de fronteiras. Foram os alertas dos peritos de Bruxelas que levaram o Governo a adotar medidas urgentes, nomeadamente a suspensão do denominado Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia.
De acordo com o jornal Diário de Notícias, que citava um documento enviado pelo gabinete da secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI) a vários ministérios e forças de segurança envolvidas na operação, a equipa da Comissão Europeia detetou falhas graves relacionadas com a a baixa qualidade dos controlos de fronteira de primeira e segunda linha, alertando ainda para as longas filas e tempos de espera excessivos, que terão chegado a sete horas.
Além disso, os técnicos que fizeram a avaliação mencionaram que estava a ser feita frequentemente uma simplificação dos controlos das fronteiras sem que o Executivo comunitário tivesse sido notificado,levando a uma "ausência de controlos de saída no posto de passagem de fronteira do Aeroporto de Lisboa".
O descontrolo no aeroporto vinha sendo assinalado também pelos sindicatos de polícias. Em meados de dezembro, a ministra da Administração Interna reconheceu no Parlamento que a introdução do novo sistema europeu de controlo de fronteiras "correu muito mal", admitindo falhas de planeamento, falta de meios humanos e limitações de espaço no Aeroporto Humberto Delgado.
O cenário repetiu-se noutros países da União Europeia (UE), após a implementação gradual do novo Sistema de Entrada/Saída (EES), que arrancou em outubro, com atrasos significativos para passageiros.