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Angola, joia turística intocada, selvagem e acolhedora

Quedas de Kalandula em Angola
Quedas de Kalandula em Angola Direitos de autor  Paulo César Santos/Wiki Commons
Direitos de autor Paulo César Santos/Wiki Commons
De Diana Resnik
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De praias intocadas a safaris e grandes quedas de água, Angola aposta no turismo. Na ITB de Berlim apresentou um plano para o tornar pilar da economia, salvaguardando natureza e cultura

Em Berlim, o Jantar de Líderes do Global Tourism Forum Angola, organizado pelo Ministério do Turismo de Angola e pelo World Tourism Forum Institute (WTFI), arrancou em grande, com um tapete vermelho estendido para especialistas em turismo e investidores de todo o mundo, incluindo da Alemanha, Turquia e Arábia Saudita.

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Foi uma noite especial para uma ocasião especial, no primeiro dia da maior feira mundial de turismo, a ITB Berlin 2026, com Angola como país anfitrião oficial.

«A ITB é considerada a Meca do turismo», afirma Márcio de Jesus Lopes Daniel, ministro do Turismo da República de Angola, em entrevista à Euronews Travel. «Quem está na ITB está no centro de uma plataforma que define o turismo no mundo.»

Entre pratos requintados e conversas animadas, Daniel explica o que está em jogo para o seu país.

Angola ainda não é um destino amplamente conhecido, explica: «Queremos promover o nosso país, porque sabemos bem que ninguém visita um lugar que não conhece, por isso temos de nos dar a conhecer ao mundo.»

Márcio de Jesus Lopes Daniel, ministro do Turismo da República de Angola
Márcio de Jesus Lopes Daniel, ministro do Turismo da República de Angola World Tourism Forum Institute

Turismo é pilar-chave para Angola

A nação da África Austral tem metas ambiciosas. Procura diversificar a economia, tendo identificado o turismo como «pilar-chave».

Para já, o petróleo e o gás representam cerca de 20 % do PIB de Angola. Mas o país procura identificar outros sectores que possam acelerar o crescimento económico, afirma José de Lima Massano, ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola. O turismo é um deles.

Embora tenha vindo a Berlim para mostrar a beleza e o potencial de Angola, outro grande objetivo de acolher a ITB e o jantar do Global Tourism Forum foi mobilizar capital. «Consideramos que, nesta fase em que Angola procura levar o país a um novo patamar de desenvolvimento social e económico, o turismo é um sector especialmente importante», disse Lima Massano à Euronews.

E o esforço já começa a dar frutos. «Em sete anos fizeram muito», afirma Bulut Bağcı, presidente do World Tourism Forum Institute. Segundo Bağcı, o Global Tourism Forum Leaders Dinner, organizado por Angola, é «a base e a plataforma para criar», com o turismo entre os sectores de maior prioridade para o país.

José de Lima Massano, ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola
José de Lima Massano, ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola World Tourism Forum Institute

Angola: um lugar saído do paraíso

Angola tem muito para oferecer. De safaris a flora tropical, é um país talhado para aventureiros. «O país da África Austral tem 1 650 quilómetros de costa, com praias virgens e parques nacionais onde se pode fazer safaris», explica Daniel. Além disso, Angola acolhe o deserto mais antigo do mundo – o Deserto do Namibe – e uma das maiores quedas de água de África, as Quedas de Kalandula.

Lima Massano falou também à Euronews sobre a beleza singular de Angola. «Não importa para onde vá, norte, sul, este, oeste, é um país abençoado com muitas belezas nacionais e naturais.»

Mas, por mais impressionantes que sejam as paisagens, o que verdadeiramente define Angola são as pessoas e a sua cultura única. Quem visita o país deve estar preparado não só para observar essa beleza, mas para se envolver numa sociedade calorosa e acolhedora.

À medida que Lima Massano descreve o que está no coração da sua cultura, o rosto ilumina-se. «Em Angola, gostamos de aproveitar a vida», diz. «Quem está lá tem de se abrir a isso, à música, à gastronomia, à cultura do país. Prepare-se para se envolver, para participar. Porque somos um país acolhedor. É como se fôssemos uma grande família.»

Angola é um país com uma gastronomia e uma hospitalidade muito vibrantes, acrescenta Daniel. O país oferece uma experiência verdadeiramente única. «É um destino ainda muito intocado e pouco explorado», afirma. «Consegue sentir-se o ritmo próprio da vida.»

Bulut Bağcı, presidente do World Tourism Forum Institute
Bulut Bağcı, presidente do World Tourism Forum Institute World Tourism Forum Institute

Combinar sustentabilidade e turismo responsável

Angola adequa-se especialmente a viajantes aventureiros. «Pode fazer uma imersão junto das tribos locais», diz Daniel. «Isso torna a experiência verdadeiramente única.»

Ao mesmo tempo, o país pretende alargar no futuro o público-alvo, desenvolvendo resorts tudo incluído, hotéis e eco-lodges, convidando assim as famílias a descobrir o país.

Mas, embora a aposta passe por desenvolver e expandir o sector do turismo, Angola quer também agir de forma responsável para com a população e o ambiente. O país pretende preservar a sua beleza natural única, privilegiando o turismo de luxo e de gama alta. «Temos uma estratégia para não apostar no turismo de massas, porque queremos preservar a natureza», explica Daniel.

O Global Tourism Forum Angola Leaders Dinner, em Berlim, foi organizado pelo Ministério do Turismo de Angola e pelo World Tourism Forum Institute
O Global Tourism Forum Angola Leaders Dinner, em Berlim, foi organizado pelo Ministério do Turismo de Angola e pelo World Tourism Forum Institute World Tourism Forum Institute

Reforçar o turismo com a ajuda da inteligência artificial

É aqui que a inteligência artificial pode ter um papel central, ajudando Angola a chegar aos visitantes que quer atrair. Ao compreender melhor as necessidades dos turistas, o país poderá responder-lhes de forma mais eficaz, explica Lima Massano.

Como? A inteligência artificial pode ajudar Angola a acompanhar e analisar os dados dos turistas. «Isto é o mais importante», afirma Bağcı. O turismo é um dos grandes pilares da infraestrutura económica. «Se quer desenvolver o seu país, antes de mais tem de se concentrar no turismo.»

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