O exército israelita não comentou este ataque em concreto, mas afirmou na segunda-feira que estava a atacar infraestruturas do Hezbollah no leste do Líbano
Um ataque aéreo israelita contra uma aldeia no leste do Líbano matou 12 pessoas, indicaram na terça-feira os media estatais, enquanto um responsável israelita afirmou que o exército mobilizou mais tropas para o Líbano.
O ataque atingiu a localidade de Mashghara, no vale do Bekaa, na noite de segunda-feira, de acordo com a Agência Nacional de Notícias do Líbano.
O ataque ocorre depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter autorizado ataques mais intensos contra o grupo armado Hezbollah em todo o Líbano.
"Ordenei uma aceleração ainda maior das nossas operações", afirmou Netanyahu numa declaração em vídeo publicada no seu canal no Telegram.
As forças armadas israelitas não comentaram este ataque em concreto, mas disseram na segunda-feira que estavam a atingir infraestruturas do Hezbollah no leste do Líbano.
Um responsável da segurança israelita indicou que o exército tinha destacado mais um batalhão para o Líbano. O responsável falou na condição de anonimato, em conformidade com os regulamentos.
Equipas de socorro afirmam que uma dúzia de corpos foi retirada dos escombros após uma intensa vaga de ataques noturnos contra partes do sul e do leste do Líbano.
A intensificação dos ataques ocorre três dias antes de delegações militares libanesas e israelitas se reunirem em Washington para conversações diretas.
O Hezbollah tem atacado tropas israelitas no sul do Líbano e localidades no norte de Israel e promete continuar a lutar até que Israel cesse os bombardeamentos aéreos diários e retire as suas tropas do país.
Nas últimas semanas, o Hezbollah tem afirmado que está a utilizar novos drones de fibra ótica, que as tropas israelitas têm tido dificuldade em intercetar, atingindo tanto militares israelitas como aldeias na fronteira norte.
Israel atualizou as suas diretrizes de defesa, em linha com os desenvolvimentos recentes nas zonas norte do país, aconselhando a população a evitar grandes ajuntamentos.
"O que isto nos exige agora é aumentar os golpes, aumentar a intensidade. Vamos atingi-los de forma implacável", disse Netanyahu num vídeo publicado nas redes sociais, na segunda-feira, antes dos ataques.
O governo libanês espera que as conversações diretas com Israel, contestadas pelo Hezbollah, conduzam a um cessar-fogo.
O presidente libanês, Joseph Aoun, defendeu na segunda-feira a decisão de manter conversações com Israel, acrescentando que a exigência de uma retirada total de Israel do sul do Líbano é "inegociável".
Mais de um milhão de pessoas no Líbano foram deslocadas pela guerra, desencadeada quando o Hezbollah disparou foguetes contra o norte de Israel, em 2 de março, em solidariedade com o Irão.
Pelo menos 3185 pessoas no Líbano foram mortas em ataques israelitas desde o início da guerra, segundo o Ministério da Saúde libanês. Mais de 9600 ficaram feridas.
A intensificação dos ataques reacendeu no Líbano o receio de uma nova guerra em grande escala, deixando a capital novamente exposta a possíveis bombardeamentos.
"Basta dizer umas palavras na televisão para ele [Netanyahu] pôr toda a gente em pânico e a fugir de casa", disse Tony Aboud, no movimentado bairro de Hamra, em Beirute. "Não sei o que vai acontecer nem quanto tempo podemos viver assim."