A guerra travou o tráfego marítimo no estreito de Ormuz e perturbou as exportações do Golfo. O Qatar diz manter a mediação entre Washington e Teerão e alerta que o impacto já atinge vários setores, para lá da energia.
O Qatar advertiu, esta terça-feira, que a guerra com o Irão está a exercer uma pressão “insuportável” sobre a economia mundial, numa altura em que afirmou que continuam as reuniões para tentar chegar a um acordo e que Doha retomou o papel de mediador entre Washington e Teerão.
“Durante quanto tempo poderá a economia internacional suportar as consequências do que está a acontecer na nossa região?” perguntou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Majed Al Ansari, numa conferência de imprensa em Doha.
Questionado sobre as hipóteses de um acordo, Al Ansari afirmou: “Em qualquer acordo há obstáculos. O nosso papel é ultrapassar as dificuldades e tentar reduzir as diferenças entre as duas partes, e é isso que está a acontecer agora.”
O porta-voz da diplomacia catari indicou que nos últimos dias se realizaram reuniões, com o Qatar a transmitir mensagens entre as partes. Recusou precisar até que ponto já avançaram as negociações.
Al Ansari alertou que uma nova escalada traria mais sofrimento à região. Sublinhou que o Qatar continua a defender uma solução pacífica, apesar de ter sido atingido por mísseis provenientes do Irão.
Os países do Golfo, o Iraque e a Jordânia não escolheram participar na guerra entre o Irão e os Estados Unidos, lembrou Al Ansari, acrescentando que não têm qualquer conflito próprio com Teerão por resolver.
“Trata-se de uma agressão, uma agressão injustificada contra os nossos países”, disse, defendendo que Teerão tem de deixar claro que não atacará vizinhos arrastados para uma guerra em que não decidiram entrar.
Apesar dos ataques, o Qatar mantém contactos com o Irão enquanto tenta mediar o fim da guerra. Al Ansari considerou que uma solução duradoura exigirá também arranjos de segurança regional baseados na coexistência e na não agressão.
Para já, Doha procura aproximar as partes de um acordo e reabrir Ormuz à navegação livre, adiantou.
Majed Al Ansari recordou que o Golfo exporta para o mundo muito mais do que petróleo e gás, incluindo ureia e amónia, essenciais para a agricultura e a produção de fertilizantes, bem como hélio, petroquímicos e alumínio.
Apontou impactos nos rendimentos das colheitas em países vulneráveis e um maior recurso ao carvão em regiões que o estavam a abandonar. Avisou que a pressão poderá agravar-se à medida que se aproxima o inverno.
A guerra, iniciada no final de fevereiro com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, perturbou seriamente o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, via essencial para as exportações dos países do Golfo.
O Qatar tem reiterado que quer ver plenamente restaurada a liberdade de navegação como parte de qualquer acordo de paz entre Washington e Teerão.