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China-Coreia do Norte: nova ponte de quatro vias abre após década de atraso

Bandeiras chinesas hasteiam-se durante a cerimónia de inauguração da nova ponte sobre o rio Yalu, entre a China e a Coreia do Norte, em 15 de outubro de 2026
Bandeiras chinesas são hasteadas durante a cerimónia de inauguração da nova ponte China-Coreia do Norte sobre o rio Yalu, em 15 de outubro de 2026 -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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A inauguração da nova ponte ocorre cerca de um mês depois de a Coreia do Norte e a Rússia abrirem uma ponte rodoviária para reforçar relações.

Abriu finalmente esta quinta-feira uma nova ponte rodoviária de quatro vias que liga a China e a Coreia do Norte, com 12 anos de atraso, permitindo ao gigante asiático e ao seu isolado vizinho nuclear reforçarem de forma significativa o comércio transfronteiriço.

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A China é o principal parceiro comercial da Coreia do Norte e um apoio diplomático e político essencial, embora as relações com a dinastia Kim no poder nem sempre tenham sido fáceis.

Centenas de pessoas reuniram-se esta quinta-feira na cidade fronteiriça chinesa de Dandong, no norte, tirando selfies em frente à nova ponte rodoviária sobre o rio Yalu, com 3 026 metros de extensão, antes da abertura.

Camiões com as bandeiras dos dois países começaram a circular em ambos os sentidos ao fim da manhã, alguns dos veículos norte-coreanos decorados com flores.

“É ótimo”, disse uma mulher que veio assistir, à AFP, na cidade repleta de lojas e restaurantes chineses e coreanos, onde os residentes se mostraram aliviados por a ponte ter finalmente aberto.

“Já passou mais de uma década. Vai certamente ser bom para os negócios”, afirmou, sem querer ser identificada, acompanhada pela amiga e pelo cão.

Bandeiras chinesas hasteadas durante a cerimónia de inauguração da nova ponte sobre o rio Yalu entre a China e a Coreia do Norte, 15 de outubro de 2026
Bandeiras chinesas hasteadas durante a cerimónia de inauguração da nova ponte sobre o rio Yalu entre a China e a Coreia do Norte, 15 de outubro de 2026 AP Photo

“Espero que o nível de vida na Coreia do Norte possa subir até ao que temos aqui”, disse Yu Shuyan, residente em Dandong que, antes da pandemia, tinha visitado a Coreia do Norte.

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou que a ponte simboliza a amizade de Pequim com Pyongyang e que as relações estão “a entrar numa nova fase e a abrir um novo capítulo”.

“Graças aos esforços conjuntos de ambas as partes, a abertura bem-sucedida da ponte não só vai impulsionar fortemente a cooperação económica e comercial entre os dois países, como também vai facilitar ainda mais os contactos entre pessoas e reforçar os laços de afeição entre os dois povos”, disse Li por ligação de vídeo na cerimónia de inauguração, segundo a agência noticiosa chinesa Xinhua.

Segundo a agência noticiosa sul-coreana Yonhap, a estrutura ficou concluída em 2014, mas a abertura foi adiada devido à falta de estradas de acesso e de instalações alfandegárias do lado norte-coreano.

A Coreia do Norte também fechou as fronteiras durante a pandemia de COVID-19 e as viagens de comboio entre os dois vizinhos da Ásia Oriental só foram retomadas em março, após uma interrupção de seis anos.

Ecrã de televisão mostra uma imagem do presidente chinês, Xi Jinping, e do líder norte-coreano, Kim Jong-un, numa central de autocarros em Seul, 9 de junho de 2026
Ecrã de televisão mostra uma imagem do presidente chinês, Xi Jinping, e do líder norte-coreano, Kim Jong-un, numa central de autocarros em Seul, 9 de junho de 2026 AP Photo

A nova ponte não é a única passagem fronteiriça entre os dois países.

Mas a nova estrutura vai substituir a “extremamente estreita” Ponte da Amizade Sino-Coreana, que combina via férrea e rodoviária, situada a jusante no rio Yalu, disse Lim Eul-chul, especialista em Coreia do Norte na Universidade de Kyungnam.

“Antes, o transporte de cargas pesadas, como maquinaria industrial, matérias-primas, materiais de construção e fornecimentos ligados à energia, exigia extrema cautela devido às preocupações de segurança em torno da ponte envelhecida”, explicou Lim à AFP.

“A nova ligação vai tornar esses envios muito mais fáceis e eficientes”, acrescentou, qualificando-a como um “desenvolvimento inovador” que irá aumentar substancialmente o tráfego de mercadorias.

Rússia-Coreia do Norte: ponte rodoviária reforça relações

A abertura da nova ponte ocorre cerca de um mês depois de a Coreia do Norte e a Rússia terem inaugurado uma ponte rodoviária, no quadro dos esforços para consolidar as relações.

Especialistas dizem que as autoridades chinesas provavelmente ficaram desconfortáveis com essa inauguração.

A China tem sido há muito o maior parceiro comercial e principal canal económico da Coreia do Norte. Mas, nos últimos anos, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, tem privilegiado Moscovo, enviando milhares de militares e armas convencionais para apoiar a guerra do presidente russo, Vladimir Putin, na Ucrânia, aparentemente em troca de apoio militar e económico.

Mas Kim aproximou-se recentemente da China, com o aparente objetivo de melhorar a economia do país e construir uma frente contra os Estados Unidos.

Camião vindo da Rússia chega à Coreia do Norte após atravessar a primeira ponte rodoviária sobre a fronteira comum, 7 de setembro de 2026
Camião vindo da Rússia chega à Coreia do Norte após atravessar a primeira ponte rodoviária sobre a fronteira comum, 7 de setembro de 2026 AP Photo

Por seu lado, a China pretende recuperar a influência singular sobre a Coreia do Norte. No ano passado, cerca de 98% do comércio externo norte-coreano foi realizado com a China.

A Coreia do Norte ainda não retomou a emissão de vistos turísticos para cidadãos chineses, que em tempos constituíam a maioria dos visitantes estrangeiros.

O ministério da Unificação da Coreia do Sul afirmou que Seul está “a acompanhar de perto” a situação relativa à nova ponte.

Outras fontes • AP, AFP

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