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Xenofobia na África do Sul

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De  Maria Joao Carvalho com LUSA, Voz da América, Reuters, EFE, AFP, DN
Xenofobia na África do Sul
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Lojas destruídas, produtos roubados, feridos e mortos na vaga de xenofobia que grassa na África do Sul e provoca a fuga d estrangeiros. A maioria vive do pequeno comércio mas há muitos vendedores ambulantes que sonhavam aproveitar um pouco da economia mais atrativa do continente africano.

São somalis, etíopes, zimbabuanos, “moçambicanos“http://www.voaportugues.com/content/cerca-de-400-mocambicanos-chegam-a-maputo/2730054.html:, paquistaneses, ou malawís, como *Sackinah Mohamed: – Não estou feliz por regressar a casa, vim para a África do Sul precisamente à procura de ganha-pão para enviar dinheiro e ajudar os meus pais e a minha filha a sobreviverem.*

Mas há outros que fugiram de países em guerra.

*A congolesa Kirirwa Buloze teve de fugir: – Costumava pensar que a África do Sul era um bom país para viver, por haver guerra no nosso. Não podemos dizer que queremos ir para casa, mesmo que já não haja guerra oficialmente, continuam a matar pessoas e a viver em guerra. A África do Sul está a ser um mau país: estão a matar-nos sem razão.*

Mas, com uma taxa de desemprego oficial a 25% e a pobreza generalizada, as disparidades dispararam, e os imigrantes são os primeiros acusados de roubo de emprego aos sul-africanos, apesar de criarem os próprios postos de trabalho.

A Africa do Sul tem 50 milhões de habitantes, entre os quais, nove milhões de zulus.
Estão a viver no país um milhão e setecentosmil estrangeiros, oficialmente, mas podem ser muitos mais.

Os atos de violência tiveram início há três semanas, em Duncan, em pleno território zulu. O rei zulu, Goodwill Zwelithini, que foi o primeiro a incendiar os ânimos, em março, quando apelou aos estrangeiros “para fazerem as malas”, tenta agora amenizar a situação, mas o mal está feito. Goodwill é um dos mais influentes reis tribais, reconhecidos pela constituição sul-africana. No dia 20 de abril, condenou, finalmente, os ataques e justificou que as suas palavras foram citadas fora do contexto: – Tal como disse na semana passada, se estes relatórios sobre mim a clamar guerra fossem verdadeiros, o país estaria em cinzas.

Para evitar um cenário como o de 2008, quando 67 estrangeiros foram mortos, o presidente Jacob Juma, também da tribo zulu, suspendeu uma visita à Indonésia para acabar com a crise. No dia 18 de abril esteve num campo de imigrantes, mas não se pronunciou contra os ataques de 10 de abril, duas semans e quatro mortos depois do início da vaga xenófoba.