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Entrega dos Óscares ensombrada pela discriminação nos ecrãs

Entrega dos Óscares ensombrada pela discriminação nos ecrãs
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De  Francisco Marques com Reuters, Globo
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A cerimónia da Academia de Holywood acontece domingo, 28 de fevereiro, em Los Angeles. Pelo segundo ano consecutivo, não atores negros ou afro-americanos entre os nomeados. Mas o problema não se fica

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Já não são apenas os afro-americanos. Também as mulheres e a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis) têm pouco peso na atual indústria do entretenimento norte-americano. Esta é a conclusão do alegado primeiro estudo efetuado sobre este polémico tema, inflamado depois dos protestos pela ausência de nomeados afro-americanos entre os nomeados para os Óscares deste ano e isto quando haveria filmes e interpretações a merecer pelo menos figurar na lista de finalistas.

ICYMI: MDSCInitiative</a>&#39;s new study, <a href="https://twitter.com/hashtag/CARD2016?src=hash">#CARD2016</a>. Hear more about <a href="https://twitter.com/hashtag/HollywoodSoWhite?src=hash">#HollywoodSoWhite</a> on <a href="https://twitter.com/KPCC">KPCCtheframe</a>: <a href="https://t.co/7h3tDdRb1D">https://t.co/7h3tDdRb1D</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ASCJquoted?src=hash">#ASCJquoted</a></p>&mdash; USC Annenberg (USCAnnenberg) 23 fevereiro 2016

Filmes como “A Coragem de um Campeão”, com Will Smith, “Chi-Raq”, de Spike Lee, ou, sobretudo, “Beasts of No Nation”, com Idris Elba, e “Straight Outta Compton”, que retrata a história do grupo de RAP Niggaz Wit Attitudes (NWA), foram praticamente ignorados pelos membros da Academia. Apenas este último conseguiu uma nomeação para melhor argumento original.

A mulher de Will Smith, Jada Smith, foi das primeiras a assumir o boicote à cerimónia de entrega dos Óscares — o marido disse que seria ridículo que ele fosse. Também o realizador Spike Lee anunciou o boicote à cerimónia.

Director lizgarbus</a> on exploring the life of <a href="https://twitter.com/NinaSimoneMusic">NinaSimoneMusic in #WhatHappenedMissSimone: https://t.co/51SD6BJgTb#OscarMovies

— The Academy (@TheAcademy) 22 fevereiro 2016

Na categoria de melhor documentário, um dos nomeados, curiosamente, retrata a vida de Nina Simone, a negra que deu ao mundo na década de 50 uma das melhores vozes de sempre do Blues e da Soul e se tornou numa das maiores defensoras da igualdade de direitos civis nos Estados Unidos. A cerimónia de domingo (28 de fevereiro), onde Nina Simone poderá voltar a brilhar apesar da forte concorrência, entre outros, de Amy Winehouse, terá como anfitrião, curiosamente, um negro: o comediante Chris Rock.

The #Oscars countdown continues… pic.twitter.com/l8A1IX2sLp

— The Academy (@TheAcademy) 24 fevereiro 2016

Sondagem contra boicote

Uma sondagem da Reuters/LSPSOS questionou cidadõs norte-americanos sobre uma campanha de boicote à entrega dos Óscares devido à falta de nomeados afro-americabnos pelo segundo ano consecutivo. Os resultados ditaram que 43,9 por cento dos inquiridos não concordavam com o boicote e 23,4 por cento conrodavam. Quase 23 por cento preferiu não tomar posição sobre o tema e 9,9 por cento não souberam responder.

Entre os entrevistados brancos, 51,4 por cento estavam contra o boicote e 50 por cento dos entrevistados negros estavam a favor.

O presidente e cofundador da Associação de Críticos de Filmes Afro-Americanos defende, no entanto, que o boicote à entrega dos Óscares não é o passo correto. “Não penso que seja o mais correto. Para mim, os Óscares são uma instituição muito respeitada no setor do entretenimento. Faz um bom trabalho e para muita gente”, afirmou Gil Robertson. Realizado pela Escola de Comunicação e Jornalismo Annenberg, da Universidade da Califórnia do Sul, nos Estados Unidos, o estudo analisou 109 filmes e mais de 300 séries de televisão lançados em 2014, ano, curiosamente, em que Hollywood consagrou o filme “12 anos Escravo”, a atriz méxico-queniana Lupita Nyong’o (“12 Anos Escravo”) e o realizador mexicano Alfonso Cuarón (“Gravity”). Daí para cá, porém, a Academia de Hollywood já vai em 2 anos sem qualquer nomeação de afro-americanos nas categorias de interpretação.

“Entre os 441 filmes e séries para o pequeno ecrã que avaliámos, mais de 20 por cento não tinham sequer uma personagem falante negra ou afro-americana. Mais de 50 por cento não tinham qualquer personagem asiática ou ásio-americana. Entre os 11.306 personagens de tudo o que estudámos, apenas um terço eram raparigas ou mulheres e apenas 229 eram da comunidade LGBT”, revela a professora Stacy L. Smith, da Escola de Comunicação e Jornalismo Annenberg, da USC.

LGBT Community Lacks Equity: 2% of chars LGB in 414 Film, TV & Digital stories #CARD2016https://t.co/77aBp62JBHpic.twitter.com/uXVs5tLj2G

— MDSC Initiative (@MDSCInitiative) 22 fevereiro 2016

(À comunidade LGBT falta equidade: representam 2 por cento dos personagens em 414 filmes, séries de TV e no circuito digital.)

Numa entrevista à Associated Press (vídeo em baixo), a docente referiu-se ainda à “hashtag” (termo que cria uma divisão específica nas redes sociais) #OscarsSoWhite (Óscares tão brancos), sugerindo, em linguagem cinematográfica, que “a prequela” deste termo deveria ser a “hashtag” #HollywoodSoWhite (Hollywood tão branca). “O nosso estudo deixa tudo muito claro: Hollywood é um clube de rapazes brancos e heterossexuais. Vemos isto refeltido pelos meios de comunicação”, aléega Stacy L. Smith.

Academia aprova mais equilíbrio de géneros, raças e etnias

Depois da denúncia da atriz Patricia Arquete, na edição do ano passado, da alegada discriminação de salários entre atores e atrizes nas grandes produções do cinema norte-americano, a entrega dos Óscares está agora ensombrada pela ausência de minorias. A Academia de Hollywood, presidida curiosamente por uma afro-americana, garante, no entanto, que está a trabalhar numa inversão deste desequilíbrio.

“A Academia tem estado ativa nos últimos três ou quatro anos na questão de inclusão de novas e diferentes vozes, e de cineastas, independentemente de que género, raça ou origem étnica sejam”, afirmou Cheryl Boone Isaacs, a presidente da mais famosa instituição mundial da sétima arte, concluindo: “Achamos que era importante o mundo saber que estamos a trabalhar nisto.”

Morgan Freeman on #Oscars diversity: It starts with industry, not the Academy https://t.co/0AyyNz9Ikwpic.twitter.com/UEz5OOZACf

— IMDb (@IMDb) 23 fevereiro 2016

(Morgan Freeman sobre a diversidade nos Óscares: tudo começa na indústria, não na Academia.)

No final de janeiro, com uma votação unânime, o Conselho de Governadores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood aprovou uma série de medidas para tornar a composição do organismo mais diversificado, comprometendo-se a duplicar o número de mulheres e representantes de minorias até 2020.

As medidas entram em vigor no final deste ano. Os novos membros vão poder votar durante 10 anos e terão a associação renovada se permanecerem a trabalhar no setor durante a década em questão. Os integrantes passam a ter direito de voto vitalício após 30 anos como membros da Academia ou se forem indicados para um Óscar.

[ Leia aqui o relatório do estudo da Escola Annenberg, da USC ]

> Women represent only 19% of TheAcademy</a>&#39;s non-acting nominations <a href="https://t.co/EglBNG49lS">https://t.co/EglBNG49lS</a> v <a href="https://twitter.com/Variety">Variety#womeninfilm#Oscars#OscarsWomen

— UN Women (@UN_Women) 20 fevereiro 2016

(As mulheres representam apenas 19 por cento das nomeações da Academia em categorias à margem da interpretação.)

In 88 yrs, TheAcademy</a> nominated 4 women in best-director category,only 1 woman won <a href="https://t.co/BcvHER7OTD">https://t.co/BcvHER7OTD</a> <a href="https://twitter.com/VanityFair">VanityFair#OscarsWomen#Oscars

— UN Women (@UN_Women) 22 fevereiro 2016

(Em 88 anos, a Academia nomeou 4 mulheres para a categoria de melhor realizador, apenas uma ganhou.)

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