Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.
Última hora

Síria: Um cessar fogo cheio de incertezas

Síria: Um cessar fogo cheio de incertezas
Euronews logo
Tamanho do texto Aa Aa

As bombas caíram em Alepo, pelo menos, até à entrada em vigor do cessar fogo. O futuro da trégua vai definir-se nesta cidade, a cidade mártir dividida em dois. Mas nem os rebeldes nem o regime de Assad estão dispostos a ceder.

O presidente sírio deixou claro, perante as câmaras, que não há qualquer intenção de baixar as armas. Assad, durante uma visita a Daraya garantiu que “quando vimos a esta zona queremos enviar uma mensagem de que o Estado Sírio está determinado em recuperar toda a região dos terroristas”.

O que não fica claro na mensagem de Bashar al Assad é quem são os alvos, quem são os terroristas para o líder do regime e para os aliados russos. Não serão os mesmos dos Estados Unidos…O único inimigo em comum e identificado de ambas as partes é o autoproclamado Estado Islâmico. Mas esta teia torna-se ainda mais complexa quando há rebeldes e algumas das múltiplas fações que acabaram por se juntar ao Daesh na luta contra o regime.

E esta ambiguidade não é esclarecida pelos generais russos no terreno. Sergei Rudskoy, líder das operações na Síria explicou que “apesar da trégua, vamos continuar a lutar contra os grupos terroristas como o Estado Islâmico, e a antiga al-Nusra (Fatah al-Sham) que atuam no território da Síria. Independentemente do nome que tenham, a Força Aérea Russa vai continuar a bombardear as suas posições.

“Independentemente do nome…mas os nomes são importantes. Na lista russa das organizações terroristas na Síria, constam muitos mais nomes que o Daesh e antiga Frente al-Nusra que renunciou à filiação à Al-Qaeda. A várias fações islamitas no terreno que são aliadas dos rebeldes. Mas há também muitos grupos rebeldes que querem distanciar-se dos militantes islamitas, para não serem considerados alvos.

Ou seja, no terreno vai ser quase impossível distinguir entre rebeldes e terroristas. Em Alepo, na metade da cidade controlada pelos rebeldes, onde existem muitos grupos, como vão ser definidos os alvos? E se os rebeldes deixarem de combater correm o risco de perder o controlo dessa parte da cidade.

Alguns grupos islamitas, como o salafista Ahrar al-Sham, muito presente nas regiões de Alepo e Idlib, já criticaram o cessar-fogo: garantem que favorece os interesses do regime e destroem os rebeldes.

Todas estas declarações deixam antever um dificil cumprimento do acordo que entrou em vigor na tarde de segunda-feira e que prevê um acesso humanitário sem entrave às zonas sitiadas.