Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

RD Congo: O que está em causa, o ataque às sedes da oposição e um ultimato

RD Congo: O que está em causa, o ataque às sedes da oposição e um ultimato
Direitos de autor 
De Francisco Marques com Lusa, AFP, Voice of congo
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button
Copiar/colar o link embed do vídeo: Copy to clipboard Link copiado!

Segundo dia de violência após um protesto na segunda-feira contra a não marcação de eleições presidenciais e à eventual inconstitucional permanência no poder de Joseph Kabila.

A violência e o derrame de sangue continuam a manchar a atualidade na República Democrática do congo, onde esta terça-feira, em Kinshasa, as sedes de partidos da oposição ao Presidente Joseph Kabila foram incendiadas ainda de madrugada.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Ao segundo dia de violência no país, o controverso de balanço de mortos continua a agravar-se. Pelo menos mais cinco pessoas perderam a vida.

#RDC: Les parties de l'Opposition saccagés et incendiés ce matin : UDPS (photo), ECIDE, ATD, CNC, MLP, FONUS sont les cinq partis visés.#DRC pic.twitter.com/9bUtBkthN6

— The Voice Of Congo (@VoiceOfCongo) 20 de setembro de 2016

Na sede da União para a Democracia e Progresso Social (UDPS) foram encontrados pelo menos dois cadáveres carbonizados. De acordo com relatos recolhidos pela Agência France Press, pelo menos outras duas pessoas teriam sido queimadas viva e uma outra teria sido ferida.

Pela rede social Twitter, o jornal digital The Voice of Congo deu eco inclusive da morte de uma rapariga de oito anos, atingida a tiro.

#RDC, #Kinshasa : Une Fille de 8 ans morte atteinte par balles a Yolo, ce mardi 20 Septembre 2016 . #DRC pic.twitter.com/zR22iQ6LJP

— The Voice Of Congo (@VoiceOfCongo) 20 de setembro de 2016

Uma mulher de 40 anos relatou que o seu marido estava no local quando homens armados, não identificados, atacaram o edifício, que ainda estava a arder intensamente quando chegaram os jornalistas. “Acabo de pôr o corpo do meu marido na morgue. Morreu nos confrontos”, disse a mulher à AFP.

#RDC, #Kinshasa: La Police contre la Population: Tirs et Gaz lacrymogène, Mardi 20 Septembre. VIDÉO-> https://t.co/GceeuhQKuZ #DRC pic.twitter.com/FlaY5IBlHd

— The Voice Of Congo (@VoiceOfCongo) 20 de setembro de 2016

O secretário nacional do UDPS, Felix Tshesekedi, acusou comandos às ordens do regime de Kabila do ataque às sedes da oposição. “Não vamos continuar a viver lado a lado com estes selvagens. O povo está farto e quer pôr um fim a esta ditadura”, garante o filho de Ethienne Tshesekedi, o fundador e líder do UDPS e uma das maiores individualidades na oposição a Kabila.

Um residente no mesmo bairro das sedes do FONUS e do MLP, outros partifdos da oposição ao regime, diz que “este tipo de comportamento é de facto triste e chocante”. “Polícia, militares e política, quando se misturam nunca é bom. É muito desapontante”, refere este congolês identificado como Tresor.

O deputado nacional Emery Okundji, também presidente da rede de parlamentares para os direitos do homem, reportou pelo Twitter o ataque à sede do FONUS pouco antes das 05h da manhã locais (mesma hora em Lisboa). Pouco depois, reportou tambem o incêndio na sede do UDPS e o regresso de homens armados, desta vez “mais de 60”, à sede do FONUS, “com general Kanyama à cabeça para amplificar o incêndio.”

A 4h44 du matin,les hommes armés (16 au total)viennent de brûler le Siège des Fonus situé sur 130 av.de l'enseignement,commune de Kasa-Vubu.

— Emery Okundji (@EmeryOkundji) 20 de setembro de 2016

(“Às 04h44 da manhã, homens armados (16 no total) vieram pôr fogo
à sede do FONUS na avenida do Ensino, comuna de Kasa-Vubu.)

Segunda-feira sangrenta

O ataque às sedes dos partidos da oposição ao presidente Joseph Kabila aconteceu após um protesto, na segunda-feira, ter degenerado em trágicos confrontos entre manifestantes e forças da ordem. O balanço oficial de vítimas emitido pelo governo falava em 17 mortos, incluindo três polícias. Por outro lado, os grupos da oposição estimavam mais de 50 mortos. Já esta terça-feira, Ida Sawyer, da Organização Não-Governamental Human Rights Watch (HRW), revelou pelo Twitter que, “no total, a HRW recebeu relatórios credíveis” indicando “37 civis mortos pelas forças de segurança desde ontem (segunda-feira)”, acrescentando também a morte de “seis polícias” e de um membro do Partido do Povo para a Reconstrução e a Democracia (PPRD), o partido do governo.

#RDC: Au total,hrw</a> a reçu rapports crédibles de 37 civils tués par forces de sécurité depuis hier; 6 policiers+1 PPRD tués par manifestants</p>&mdash; Ida Sawyer (ida_sawyer) 20 de setembro de 2016

A oposição, unida numa aliança intitulada “Rassemblement” (Reunião), esperava que na segunda-feira tivesse sido anunciada a data das eleições presidenciais, mas tal não se verificou.

Após uma reunião, à noite foi emitido um comunicado a protestar “contra a não marcação das eleições presidenciais neste data de 19 de setembro e a sinalização a Joseph Kabila do início do pré-aviso de 90 dias para o fim definitivo do seu segundo e último mandato”.

Le Rassemblement des Forces Politiques et Sociales Acquises au Changement appelle à la poursuite de la mobilisation .yebela pic.twitter.com/lA58DwZpPK

— fonus (@FONUSRDC) 19 de setembro de 2016

O “Rassemblement” apelou a uma “mobilização massiva dos congoleses através de uma forte determinação para enfrentar a intimidação e a violência da máquina repressiva do poder”. A aliança da oposição pediu ainda à população para se manter “mobilizada para prevenir que um indivíduo ou grupo de indivíduos não monopolize o poder nem exerça uma violação da Constituição.”

Num género de ultimato, em linha com as recomendações dos Estados Unidos, da França e das Nações Unidas, a oposição exige a marcação de eleições presidenciais antes do fim do mandato de Kabila, fixado a 20 de dezembro.

O que diz a Constituição da RD do Congo sobre a Presidência?

O artigo 70 da Constituição da RD do Congo estipula que “o Presidente da República e eleito por sufrágio universal direto para um mandato de cinco anos apenas renovável uma vez”. “No fim do seu mandato, o Presidente da República mantém-se em funções apenas até à instalação efetiva do novo Presidente eleito”.

No artigo 73 lê-se que “o escrutínio para a eleição do Presidente da República é convocado pela Comissão eleitoral nacional independente noventa dias antes da expiração do mandato do Presidente em exercício.”
O artigo 75 acrescenta que o presidente do Senado assegura de forma interina a chefia do Estado “em caso de vazio devido a morte, de demissão ou por qualquer outra coisa de impedimento definitivo”, o que leva o ministro para o Parlamento a concluir que, no caso atual, o “vazio de poder será impossível.”
A oposição, por outro lado, defende que, ao manter-se no poder para lá do fim do mandato, Joseph Kabila incorre em “alta traição” se insistir em contrariar a proibição constitucional de se manter no poder para lá dos dois mandatos permitidos e ameaça o ainda Presidente com o artigo 64 da Constituição, no qual “todos os congoleses têm o dever de impedir qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos que tomaram o poder pela força ou que violem o disposto na presente Constituição.”
“Todas as tentativas de reversão do regime constitucional resulta num crime imprescritível contra a nação e o Estado e será punido de acordo com a lei”, especifica a lei fundamental. Fonte: Constituição da RD Congo de 18 de fevereiro de 2006

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Última entrevista da jovem que recebeu eutanásia em Espanha faz disparar desinformação

“A minha filha não foi assassinada”: família nega envolvimento de Israel na morte de jornalista

Morreu Jürgen Habermas, um dos principais filósofos alemães contemporâneos