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O tortuoso êxodo dos rohingya

O tortuoso êxodo dos rohingya
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Uma nova vaga de muçulmanos rohingya chegou ao Bangladeche. Estima-se que cerca de 8 mil pessoas fugiram de Myanmar e ficaram bloqueadas durante vários dias no posto de controlo fronteiriço de Anjuman Para. Agora encontram-se num acampamento próximo, no distrito de Cox Bazaar, sudeste do Bangladeche. Somam-se às mais de 600 mil pessoas que aqui chegaram desde os ataques militares de agosto.

Aparecem praticamente de mãos a abanar, mas os que conseguiram trazer documentos guardam-nos como se da própria vida se tratasse. Há certidões de propriedade de imóveis e de casamento a secar ao sol. Podem ser a chave de volta a casa, um dia, quem sabe.

As organizações não-governamentais acostumaram-se ao êxodo massivo de pessoas através desta zona do rio Naf. As equipas no terreno prestam apoio com comida e água sempre que recebem o alerta de que pessoas cruzaram a fronteira.

Nesta terra de ninguém são atendidos por médicos, recebem uma refeição quente ao dia e bolachas energéticas.

“Desde agosto que esta situação se tornou recorrente nas fronteiras. Esta é a quarta vez que assistimos a uma afluência massiva neste ponto de passagem. Antes, já tínhamos visto chegar aqui quase 35 mil pessoas. Assim que conseguem têm de esperar entre quatro a cinco dias, antes de receber a autorização para se instalarem nos acampamentos”, sublinha Ismail Faroque Manik, da ONG Ação contra a Fome.

Os refugiados mais vulneráveis receberam apoio imediato. Alguns encontram-se demasiado fracos para caminhar. Os trabalhadores humanitários falam em ferimentos provocados por balas e em ossos partidos por causa de quedas durante os percursos.

Atualmente estes refugiados estão no acampamento de Balukhali, aberto recentemente e adjacente ao já saturado campo de refugiados Kutupalong.

Ao acampamento original, aberto em 1992 unicamente para pessoas com o estatuto de refugiado, foram-se acrescentando extensões. Se somarmos as pessoas existentes com as que ainda não têm o estatuto de refugiado há cerca de 460 mil almas no local.

Durante a primeira visita a Kutupalong, a 31 de outubro, o comissário europeu para a ajuda humanitária, Christos Stylianides, mostrou-se “chocado” com a magnitude das necessidades: “Temos de convencer o Governo de Myanmar de que estamos a falar de direitos humanos. Não se trata de um conflito religioso, de uma questão religiosa. Trata-se de direitos humanos, fundamentais para qualquer pessoa. Concordo com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em que talvez a única descrição para esta situação possa ser a de limpeza étnica.”

Com a ameaça de sanções contra Myanmar e os relatos propagados de atrocidades cometidas pelo Exército há esperanças de que a crise tenha chegado a um ponto em que será preciso encontrar uma solução política.

Monica Pinna, euronews – Enquanto aldeias inteiras continuam a fugir para o Bangladeche à procura de um lugar nos acampamentos de refugiados cada vez mais apinhados, o êxodo, em termos de quantidade de pessoas deslocadas num curto período de tempo, é apenas comparável ao genocídio no Ruanda de 1994.

Não perca a reportagem do programa “Aid Zone” a partir de 23 de novembro, na Euronews, para acompanhar em detalhe esta questão.