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A vida a bordo do Aquarius

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A vida a bordo do Aquarius

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Neste momento, a situação dos migrantes é no mínimo difícil. O navio está lotado, com 141 pessoas a bordo. Trata-se de pessoas que viveram uma experiência traumatizante e que foram resgatadas na sexta-feira, em 2 operações distintas. Numa das operações foram resgatadas 25 pessoas do mar, onde se presume estiveram à deriva quase 35 horas sem alimento ou água. Noutra operação, 116 pessoas foram resgatadas, das quais 67 são menores de idade não acompanhados.

Este segundo grupo descreveu momentos horríficos ao verem vários barcos passarem e reagirem à sua presença com indiferença e inação, momentos conhecidos através do relatos que fizeram aos voluntários das organizações não governamentais Médicos Sem Fronteiras e SOS Mediterranée.

Esta é a nova realidade no Mediterrâneo: barcos que se recusam a prestar assistência a migrantes que encontram no mar, por medo de ficarem eles próprios retidos no mar e sem um porto de desembarque seguro. Um dos migrantes resgatados garantiu: "Sinceramente, do fundo do coração, se eu soubesse como esta viagem se iria desenrolar, nunca me teria aventurado."

Este é um testemunho representativo da opinião de muitos dos migrantes resgatados no Mediterrâneo, que falam de traição por parte daqueles, os traficantes de seres humanos, que lhes vendem um bilhete e a ideia que a viagem até Itália ou Espanha será fácil.

Os passageiros com quem a Euronews falou em Junho, a bordo do Aquarius, disseram-nos que nunca teriam arriscado a vida das suas famílias, das suas pessoas queridas, se soubessem que seria tão perigoso, se soubessem o grau de magnitude dos riscos.