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Milhões de brasileiras "unidas contra Bolsonaro" na internet

Grupo de Ludimilla Teixeira já ultrapassou os 1,8 milhões de "membras"
Grupo de Ludimilla Teixeira já ultrapassou os 1,8 milhões de "membras"
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O grupo "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro" foi criado na manhã do penúltimo dia de agosto após uma conversa entre amigas. Duas semanas depois, as "membras", como lhes chama a fundadora para marcar a exclusividade da página, já ultrapassavam os 1,5 milhões e agora já são mais de 1,8 milhões.

Número de membros registado dia 13 de setembro cerca das 17 horas

Ludimilla Teixeira contou à Euronews a história deste manifesto feminino contra o candidato presidencial do Partido Social Liberal (PSL), a quem acusa de "promover um discurso de ódio" e aponta o dedo por ser assumidamente contra o aborto, um direito que esta ativista reclama para as brasileiras.

"Eu acho que o Bolsonaro é o pior cenário possível (para presidente) porque uma pessoa que prega um discurso de ódio e intolerância contra as minorias; que tratou negros 'quilombolas' como se fossem animais; que é a favor da ditadura; que votou o 'impeachement' de uma mulher clamando por um torturador da ditadura militar, não tem condições de ser presidente do Brasil. É o pior possível", considera Ludimilla Teixeira.

Uma conversa de amigas na véspera do "nascimento" do grupo centrou-se no que poderiam "fazer para esfriar o crescimento de Bolsonaro", o favorito nas eleições de acordo com as últimas sondagens num cenário eleitoral sem a presença do ex-presidente Lula de Silva.

"Decidi criar o grupo exatamente às 06:25 horas da manhã de 30 de agosto. Na altura havia apenas uma página, 'Brasil contra Bolsonaro'. Como havia muitas mulheres a falar mal do presidenciável, decidi lançar este grupo. De início, adicionei as minhas amigas e pedi ajuda para conseguir mais adesões. A ideia foi bem recebida", contou Ludimilla, numa entrevista via Skype.

O grupo é fechado e de adesão exclusiva para mulheres. Não tem qualquer orientação política e até apoiantes de Bolsonaro já aderiram. "Algumas, saíram logo", revela a fundadora do grupo, que "nunca" imaginou "um crescimento "tão rápido".

Dois dias depois de lançar o manifesto, Ludimilla publicou um vídeo celebrando a transposição da fasquia dos 6000 membros. Na última terça-feira, já com o estatuto de "secreto", o que o tornava invisível para não membros e que permitia assim um mais tranquilo processo de aprovação de novas adesões, o grupo chegou ao milhão de "membras" e 24 horas depois ultrapassou o 1.5 milhões.

O crescimento tem progredido a um ritmo de 10 mil entradas por minuto, garantem as gestoras do grupo, mas existe ainda uma vasta vaga de mulheres no apoio a Bolsonaro.

Há inclusive grupos de Facebook a ser criados nos últimos dias de apoio ao candidato do PSL, alguns alegadamente também apenas para mulheres.

Ludimilla não entende porque elas se mantêm ao lado do conservador e antigo capitão do Exército do Brasil.

"O discurso do Bolsonaro é completamente machista e misógino. Ele prega a intolerância, por isso não podemos entender (as mulheres que o apoiam). Talvez um psicólogo ou um profissional da área que o possa explicar porque a maioria das mulheres que conheço pensam exatamente como eu e as outras quase dois milhões. Eu acho que vamos chegar aos dois milhões muito em breve", perspetivou Ludimilla Teixeira.

A verdade é que o número de mulheres a aderir ao grupo continua a aumentar. Uma recente sondagem da Datafolha indica que 49% do eleitorado feminino está contra a candidatura de Jair Bolsonaro

Com o candidato do PSL ainda na frente das sondagens, a desejada fasquia dos dois milhões está cada vez mais perto para as brasileiras "unidas contra Bolsonaro" e a transposição deste movimento para as ruas est vada vez mais perto, à medida que também se aproxima o dia 07 de outubro, data das eleições presidenciais no Brasil.

Para 27 de setembro, algumas integrantes do grupo no Facebook estão a mobilizar as demais para um movimento de rua a dar expressão real ao sucesso do manifesto virtual.