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Discriminação racista está a agravar-se no futebol inglês

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Discriminação racista está a agravar-se no futebol inglês

A "Kick it Out" promove a igualdade e a inslusão no futebol britânico
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Queixas por discriminação continuam a agravar-se no futebol inglês, avança um novo relatório da "Kick it Out" uma organização criada para promover a igualdade e a inclusão dentro das quatro linhas dos campos britânicos.

Pelo sexto ano, as queixas aumentaram. Em relação à época anterior, em 2017/18 houve mais 11 por cento de queixas por discriminação nos diversos campeonatos, incluindo nos esaclões de formação, o que torna o problema ainda mais preocupante.

Pelo menos 53 por cento das registadas em 2017/18 estão relacionadas com racismo, um aumento de 22 por cento em relação à temporada anterior, sublinha a "Kick it Out", revelando ter tido acesso a 520 queixas da época passada contra 469 em 2016/17.

O treinador do Brady Maccabi FC, um clube judeu inglês, reforça que "o problema tem vindo a agravar-se."

"É triste. Julgo estar relacionado com o que as pessoas leem nos jornais e que é visto como normal. Depois, de repente, as pessoas deixam-se levar e começam também a contribuir para o problema. Na última época, tivemos um caso muito grave de antissemitismo. Esta época, já tivemos três ou quatro casos que tive de denunciar à federação", revela Joel Nathan.

Joel Freedman, um dos jovens futeblistas do Brady Maccabi FC, já foi vítima de antissemitismo.

"Depois de um jogo, um dos jogadores adversários descobriu nas redes sociais os perfis de alguns dos nossos jogadores e conseguiu entrar num grupo. A equipa dele enviou-nos comentários antissemitas, dizendo por exemplo que Hitler tinha razão, que as câmaras de gás tinham sido uma coisa boa e que todos nós devíamos ter sido mortos", recorda o jovem futebolista.

O estudo agora publicado pela "Kick it Out" veio relançar o alarme no futebol inglês, onde o Chelsea é já um dos clubes a tentar impedir o antissemtismo de florescer em Stamford Bridge.

Depois de alguns jogos em que os próprios adeptos dos "blues" atacaram adeptos e equipas rivais como o Tottenham ou o Leicester com cânticos antissemitas, o clube decidiu iniciar um novo programa de reabilitação dos adeptos e em junho pagou a primeira excursão de apoiantes com antecedentes antissemitas às ruínas do campo de concentração de auschwitz, na Polónia.

O clube, cujo dono, o russo Roman Abramovich, é judeu, tentou confrontar os adeptos com a terrível história do Holocausto e com os pesadelos que os cânticos antissemitas provocam nos adeptos rivais a quem dirigem os cânticos racistas.

A proposta é para continuar e é simples: ou aceitam a excursão ao monumento de memória de um dos períodos mais terríveis da história da Humanidade ou são banidos do estádio. O Chelsea recebeu diversas manifestações de apoio, incluindo da Federação inglesa de Adeptos de Futebol, a programa de reabilitação.