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Temer recorre de prisão após entregar-se em São Paulo

Ex-presidente do Brasil entre polícias federais no regresso à prisão
Ex-presidente do Brasil entre polícias federais no regresso à prisão -
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REUTERS/Amanda Perobelli
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Como prometido de véspera, Michel Temer entregou-se esta quinta-feira à justiça federal do Brasil depois de um tribunal regional ter rejeitado o "habeas corpus" apresentado pela respetiva defesa.

À porta da casa do antigo presidente do Brasil (2016-2019) montou-se um circo mediático. Confrontada pelos jornalistas quando deixava a habitação da família, a filha, Luciana Temer, protestou perante a pressão para falar sobre o pai.

"Parece um cerco. É quase assédio", disse a filha do ex-presidente, sorrindo, mas evitando já com cara de poucos amigos as perguntas dos jornalistas sobre o pai.

Pouco depois de a filha ter saído, foi a vez de Michel Temer.

Acompanhado por elementos da polícia federal, o antecessor de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto foi transportado de carro para o cumprimento do mandado de prisão emitido pela juíza Caroline Figueiredo.

A decisão da juíza, substituta durante as férias do magistrado Marcelo Bretas, na 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, inclui também João Batista Lima Filho, amigo próximo de Temer, conhecido como Coronel Lima e suspeito de ser o cabecilha de um esquema de corrupção avaliado em mais um milhão de reais (cerca de 226 mil euros).

O esquema que implica Temer foi descoberto no âmbito da operação Lava Jato, numa investigação relacionada com as obras na central nuclear Angra 3, em Angra dos Reis, e envolve pagamentos ao ex-presidente através da empresa Argeplan, da qual é sócio o Coronel Lima.

Sexto presidente a ser preso na história do Brasil e o segundo desde o início do ano passado, Michel Temer considerou na quarta-feira ter sido "uma surpresa desagradável" a rejeição do "habeas corpus" pelo Tribunal Federal Regional da 2.ª região e prometeu recorrer, o que a defesa já terá feito junto do Superior Tribunal de Justiça.

Para já, Temer vai manter-se atrás das grades em São Paulo, estando contudo em aberto a transferência para a mesma cadeia na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, onde já havia estado antes.

Se for também transferido de São Paulo, o Coronel Lima terá como destino outra cadeia, a Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, onde também já esteve.

A defesa de Michel Temer está a trabalhar para tentar manter o ex-presidente em São Paulo, argumentando que a família do acusado residente na capital paulista.