Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.
Última hora

A "revolta" da classe média grega

A "revolta" da classe média grega
Euronews logo
Tamanho do texto Aa Aa

Pela primeira vez desde a eclosão da crise, a classe média da Grécia está no centro do debate público

Empobrecida, acredita que chegou a hora de recuperar. Puniu o partido do Governo (SYRIZA), nas eleições europeias e está decidida a puni-lo, novamente, nas eleições legislativas de 7 de julho.

De manhã cedo, num dos bairros mais movimentados de Atenas, perto do tribunal. Nasos Nikolopoulos entra no escritório de advocacia que fundou há sete anos, em plena crise económica. Uma decisão ousada que o ajudou a lidar com a austeridade sem precedentes que ele enfrenta desde então.

O advogado refere que "por cada 1000 euros que um cliente paga, 60% vai para o estado. Isso não inclui as despesas administrativas do escritório." Nikolopoulos sublinha que pagam vários impostos e contribuições sobre o dinheiro que ganham e explica: "23% em contribuições sociais de saúde e pensões, um imposto de renda médio de 29%, a contribuição especial de solidariedade e o imposto especial anual de negócios".

É filho de professores e tirou uma pós graduação na Grécia e outra no Reino Unido.

A família de Nasos Nikolopoulos era a típica família de classe média grega. Foram eles que suportaram o país durante os programas de resgate, pagando milhões de euros em impostos e contribuições.

O advogado explica que "para qualquer empresário que conseguisse manter-se à tona durante a crise, o maior custo era pessoal pois teve de dedicar horas intermináveis de trabalho ao seu negócio."

Segundo a jornalista da euronews Symela Touchtidou, "para quem participa nesta campanha eleitoral na Grécia, a classe média tornou-se numa espécie de Santo Graal. Todos querem o seu apoio pois quem o conseguir vence a luta eleitoral."

A escritora Karolina Mermiga participou numa das muitas discussões públicas sobre o renascimento da classe média. Falou sobre como mudar de bairro, amigos em dificuldades e do seu filho que emigrou.

Mermiga conta que "as pessoas da classe média são as que têm de "apertar o cinto". Fazem isso em silêncio e muitas vezes dolorosamente. Normalmente, estas são as pessoas que não saem às ruas e não causam tumultos, confinam as suas vidas e esperam pelas eleições para expressarem o que pensam".

É difícil avaliar o rendimento médio da classe média grega. Os políticos não encontram consenso e os rendimentos não declarados tornam difícil obter estatísticas exatas. Há, no entanto, uma ideia com a qual todos concordam: a classe média grega levará décadas a recuperar os rendimentos perdidos, durante os anos da crise.