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Amazónia: Governo admite erros e tribos enfrentam fogos sem ajuda

Amazónia: Governo admite erros e tribos enfrentam fogos sem ajuda
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Foi preciso quase um mês de incêndios na Amazónia para o Governo do Brasil reconhecer que cometeu erros na gestão do problema. O vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, admitiu que a situação se vem a repetir todos os anos e que compete às instituições governamentais lutar contra as ilegalidades.

Os focos de incêndio na maior floresta tropical do mundo multiplicam-se e as estatísticas indicam que o número de incêndios em 2019 no Brasil aumentou já 83% face ao período homólogo de 2018.

Como resposta, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, decretou a proibição de queimadas durante dois meses e aprovou o recurso aos militares para ajudar no combate às chamas.

No entanto, muitas tribos continuam à mercê do fogo. É o caso da tribo indígena Miky, que se viu obrigada a assumir o combate ao fogo face à falta de meios oficiais.

Sobreviveram durante séculos a inúmeras ameaças, mas enfrentam agora com estes fogos o pior adversário.

Consciente do perigo, o movimento Survival International luta ao lado das tribos em todo o mundo. Em entrevista à euronews, a representante da organização Survival Brasil, Priscilla Schwaryenholz, apela à pressão para uma mudança de políticas do governo de Jair Bolsonaro.

"Desde janeiro recebemos informações de que as invasões de terras indígenas aumentaram drasticamente e isso é uma consequência direta do discurso e das práticas de [Jair] Bolsonaro", disse Priscilla Schwaryenholz.

A ativista foi mais longe e lembrou o impacto ambiental, frisando que "as terras indígenas são as melhores barreiras ao desmatamento. É possível, de facto, ter uma economia sustentável em conjunto com a proteção das terras indígenas, ainda mais quando hoje falamos tanto de mudanças climáticas".

As consequências dos fogos e das orientações políticas do governo brasileiro para o ambiente estão também a ter consequências a nível económico.

A VF Corporation, a empresa americana que detém marcas de vestuário e calçado como a Timberland ou a Vans, declarou que não vai comprar couro do Brasil até ter a certeza de que a produção dos materiais que importa para os seus produtos não prejudica o meio ambiente.