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Acordo na COP25 após braço-de-ferro com o Brasil

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A representante da ONU Patricia Espinosa com a ministra chilena Carolina Shmidt
A representante da ONU Patricia Espinosa com a ministra chilena Carolina Shmidt   -   Direitos de autor  OSCAR DEL POZO / AFP
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Eis a emissão que faltava na cimeira do clima das Nações Unidas, em Madrid, Espanha.

Após um braço-de-ferro com o Brasil, este domingo de manhã, foi conseguido o consenso, na COP25, para aumentar a ambição no combate às alterações climáticas e manter os quase 200 países envolvidos na rota de cumprimento do Acordo de Paris celebrado há quatro anos.

Antes do entendimento, a ministra de Espanha para a Transição Energética, convidada pela presidência chilena desta cimeira a mediar os pontos de maio discórdia, revelou o participante que estava a atrasar a conclusão da reunião.

"O Brasil opõe-se a que se estabeleça um diálogo sobre o clima e os oceanos e sobre o clima e os solos à luz dos relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas", escreveu Teresa Ribera, acrescentando que o governo de Jair Bolsonaro ficava "abruptamente isolado".

O twit da espanhola chegou a ser repartilhado pela conta oficial da COP25, mas viria a ser retirado minutos depois.

De acordo com relatos do interior da cimeira, o representante do Brasil achou o documento final" muito bom", mas pediu que os parágrafos 30 e 31, para a criação de diálogos sobre oceanos e o uso de terras, fossem retirados.

Uma grande parte dos outros países representados na cimeira, incluindo União Europeia, Austrália, o Grupo Africano, a Arbia Saudita e até a Rússia pressionaram o Brasil a apoiar as indicações científicas e a deixar de ser obstáculo à resolução desta COP25.

A presidente da COP25, a ministra chilena do Ambiente Carolina Schmidt chegou a pedir para ser tomada nota da objeção do Brasil, mas após uma alegada intervenção de Tuvalu e do Belize junto do representante brsileiro, a decisão viria a ser tomada por unanimidade.

Leia aqui, na íntegra, a declaração "Chile - Madrid, tempo de ação"

Dois dias de prolongamento

Na noite de sábado, a presidente desta cimeira dizia que "de pouco serve agir se não se agir com ambição". "Para isso é preciso consenso", sublinhava a também miniustra do Ambiente do Chile, Carolina Schmidt.

A revisão em alta dos níveis de redução de emissões pelos países e o chamado mercado do carbono foam das principais ameaças de falhanço desta COP, que deveria ter terminado sexta-feira e se prolongou pelas madrugadas deste fim de semana, culminando na decisão deste domingo de manhã.

Às portas desta COP25, os protestos foram uma constante.

No sábado, um camião despejou estrume junto ao edifício onde decorria a cimeira e houve inclusive grupos a chorar contra a extinção do planeta.

Candela Fernandes, do braço espanhol do movimento Extinction Rebelion, admitiu dar aos governantes "mais 12 meses até à COP26, em Glasgow", na Escócia. "Até lá, têm de resolver os problemas porque as pessoas já não aguentam mais esta passividade", avisou a ativista.