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A luz do centenário Pierre Soulages

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É o mais caro pintor vivo: uma tela sua de 1960 foi recentemente vendida por 9 milhões e 600 mil euros.

O homem que virou a nossa perceção da cor preta celebra 100 anos de idade e o Museu do Louvre dedica-lhe uma exposição. Para além de Pierre Soulages, só dois outros artistas tiveram o mesmo privilégio em vida: Picasso e Chagall.

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"A cor preta reporta-me à infância. Quando era pequeno, ofereciam-me várias cores. E ninguém percebia porque é que eu ia logo com o pincel à tinta preta, em vez de utilizar o resto das cores que me davam", explica o pintor.

Várias vezes lhe perguntaram "porquê o negro" e várias vezes Soulages respondeu "porque sim". Após três décadas imerso nas telas, em 1979 decidiu dedicar-se apenas ao mundo do "Outrenoir", um conceito que explora a relação com a luz visível.

Mas, na verdade, o autor nem o define assim. "O 'Outrenoir' é um outro país para além do preto, é um outro território mental. Não é, de todo, uma definição de ótica. Não é esse domínio que me interessa, é o domínio profundo que habita no fundo de nós quando apreciamos uma obra de arte", afirma.

E prossegue: "Quando se olha para uma das minhas pinturas, vê-se a luz que vem do preto. É uma luz que surge do quadro que observamos, que se dirige ao observador. Consequentemente, o espaço do quadro deixa de estar na parede: é a luz que vem da superfície da parede em direção ao observador. Ou seja, o espaço da pintura avança e o observador passa a integrar esse espaço".

E não é labiríntico o resultado que toca uma audiência tão vasta e com tanto impacto: uma tela sua de 1960 foi recentemente vendida por 9 milhões e 600 mil euros.

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