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Kirk Douglas: Faleceu a última lenda viva de Hollywood

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Kirk Douglas: Faleceu a última lenda viva de Hollywood
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Era o último grande ator vivo da era dourada de Hollywood. O brilhante Kirk Douglas faleceu, aos 103 anos, mantendo a imagem de lutador irredutível até ao fim.

Nascido Issur Danielovitch Demsky, em 1916, no Estado de Nova York, numa família de emigrantes judeus da Bielorrússia, tornou-se ator em 1941 sob o pseudónimo de George Spelvin, que viria a mudar para Kirk Douglas, o nome que o imortalizou na história do cinema.

"Os Vikings", "20 mil Léguas Submarinas" o "Acerto de Contas", são alguns dos filmes onde pontuam a honra, a coragem e a bravura, valores que o ator defendia e que fazia questão de mostrar ao público.

William Wyler, Howard Hawks, Billy Wilder, Vincente Minnelli, Joseph Mankiewicz foram alguns dos melhores de Hollywood com quem Kirk Douglas trabalhou, durante as décadas de 1940, 50 e 60. Desempenhou com facilidade dezenas de personagens, mas o homem era bem mais complexo.

Uma das principais obras de sua filmografia é, sem dúvida, "Caminhos de Glória", que produziu com Stanley Kubrick. A história de um oficial francês que, durante a Primeira Guerra Mundial, se recusa a obedecer às ordens absurdas da sua hierarquia. Um filme que foi censurado por muito tempo em vários países europeus.

Volta a encontrar Kubrick para o mítico Spartacus que permanece, nas suas próprias palavras, "o ato do qual eu mais me orgulho na vida". Ao conseguir que Dalton Trumbo, um simpatizante de esquerda, o assinasse, quebrou a lista negra do senador McCarthy, que condenava os artistas suspeitos de comunismo ao desemprego. Kirk Douglas surge como um quebrador de amarras e libertador de escravos. Um papel que lhe assenta na perfeição.

O apogeu do novo cinema de Hollywood, a partir dos anos 60, foi um período difícil para Kirk Douglas. As características dos heróis foram mudando e as suas personagens encontravam menos aceitação no público. Ainda assim tentou reinventar-se. Chegou a trabalhar com Brian de Palma e mesmo a desempenhar papéis em filmes de ficção científica.

Longe do cinema escreveu depois alguns livros de sucesso como "The Ragman's Son", uma obra autobiográfica e também as suas memórias.

Em 2001 recebeu o Urso de Honra na Berlinale, antes de ser afetado por um ataque cerebral que o afastou da ribalta.

Entre tantas atividades Douglas arranjou tempo para, juntamente com a mulher, gerir a fundação que criou para crianças desfavorecidas. Comprometido com as causas públicas, ainda em 2016 publicou um panfleto contra Donald Trump.

Da sua longa vida ficam-nos mais de 80 filmes, um porte heroico, um sorriso cativante e uma conduta de homem preocupado com as causas sociais foram do comum.