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Famílias de Bergamo processam Governo italiano

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Famílias de Bergamo processam Governo italiano
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Já não há camiões do exército a transportar caixões das vítimas de Covid-19 em Bérgamo, mas a memória desses dias e a necessidade de compreender como tal foi possível, continua bem presente. Uma questão colocada por muitos e não apenas em Itália.

O movimento "Noi Denunceremo" foi criado em março por Luca Fusco e pelo seu filho, Stefano Fusco, depois de Luca ter perdido o pai.

Já apresentaram 50 queixas no Ministério Público de Bérgamo por atrasos na implementação de zonas vermelhas em torno das cidades vizinhas de Nembro e Alzano. Nas próximas semanas, vão apresentar mais 200 queixas.

Decorre um inquérito para determinar se a decisão de encerramento deveria ter sido tomada por Roma ou pela região da Lombardia.

Luca Fuscoo diz que querem "saber a verdade, porque assim que a tivermos, poderemos mudar o sistema que não funcionou". O plano também passa por partilhar as histórias de todos os que passaram pela mesma experiência na Europa, como admite Stefano Fusco.

"Estamos a trabalhar nisso, embora ainda estejamos na fase inicial, todos os países envolvidos estão muito motivados e penso que conseguiremos algo de concreto nos próximos meses".

Consuelo Locati tornou-se advogada do grupo depois de perder o pai vítima de Covid-19.

Diz que "dar justiça a estas pessoas poderia ajudá-las a começar uma nova vida que não é a mesma que tinham antes, mas pelo menos podem começar a aceitar essas mortes e a fazer o devido luto".

No Val Seriana morreram quase 1000% mais pessoas no pico do surto, em comparação com o número médio de mortes no mesmo período nos últimos anos. Muitos habitantes acreditam que o hospital que serve a área contribuiu para o aumento do número de infeções devido à falta de medidas de precaução, incluindo não declarar a área como zona vermelha em devido tempo.

Só na cidade de Alzano, quase todos os residentes com quem falámos, disseram-nos que perderam pelo menos um amigo ou familiar devido ao vírus.

Com quase 60 novos casos por dia, Bérgamo foi a cidade mais atingida da região e continua a ostentar as marcas da tragédia. Mais de 50 caixões por dia chegavam ao principal cemitério da cidade, que agora tem uma área dedicada às vítimas de Covid. As pessoas ali enterradas morreram com uma diferença de apenas alguns dias umas das outras.