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"Uma Polónia cada vez mais dividida"

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"Uma Polónia cada vez mais dividida"
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Foi uma vitória à justa mas suficiente para Andrzej Duda garantir mais um mandato presidencial na Polónia. O conservador recebeu 51.21% dos votos válidos na segunda volta das eleições realizada este domingo.

Duda bateu o rival liberal Rafał Trzaskowski com uma margem de 2%, num escrutínio com uma taxa de participação de 68,2%, a segunda mais alta de sempre no país.

O editor de política da Euronews acompanhou as eleições em Varsóvia e assegura que Duda "vai presidir a uma Polónia cada vez mais dividida, abanada por uma relação pouco tranquila com Bruxelas e com problemas sobre a comunidade 'gay' e a igreja".

"Como em muitas outras regiões da Europa, é uma divisão entre as pessoas da cidade e as do interior", resume Darren McCaffrey, que falou sobre os problemas políticos dos polacos com o chefe de redação do jornal "Visegrad Insight".

“Os conservadores garantiram o domínio total do cenário político polaco nos próximos três anos. Podem avançar com alterações na reforma da justiça, mudar a lei da comunicação social e continuar a assediar autoridades independentes e autónomas, como os governo locais e ONG. Acho que, em geral, não será uma progressão normal, mas será mais rápida do que temos visto até agora", disse Wojciech Przybylski à Euronews.

É uma visão partilhada com os que receiam ainda mais uma tensão com a União Europeia.

Piotr Maciej Kaczyński, antigo conselheiro político no Parlamento Europeu e atualmente membro do Centro para as Relações Internacionais, explica-nos que o novo mandato de Duda deverá "envolver três áreas em particular".

"Uma é a questão do estado de direitos, fundamental para o futuro da Polónia no seio dos estados membros. A segunda questão tem a ver com as alterações climáticas e a transformação energética. Em terceiro, temos a situação económica. Nós temos sofrido muito aqui. Não tivemos um colapso tão grande como noutros lados nem o nosso desemprego sobe tanto como noutras regiões. Por isso, vai ser um diálogo difícil com os parceiros que esse tipo de problemas graves no Sul da Europa", considerou Piotr Maciej Kaczyński.

"A campanha eleitoral foi longa e amarga. A eleição, para além de manter o "status quo", prevê-se que deixe a^a sua marca nos próximos anos", conclui Darren McCaffrey.