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Parques de animação infantil arriscam falência sem retoma da atividade

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César Batas receia estar num beco sem saída se não puder reativar o Anima Park
César Batas receia estar num beco sem saída se não puder reativar o Anima Park   -   Direitos de autor  MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
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César Batas mudou-se do Brasil para Portugal e decidiu investir 350 mil euros, em 2019, na abertura de um parque de entretenimento para crianças. Um ano depois, a ideia de fechar as portas do Anima Park, em Cascais, começa a ganhar força devido à pandemia e à falta de apoio do Estado ao setor, admitiu o empresário em entrevista telefónica à Euronews.

Bom dia, precisamos da vossa ajuda para voltarmos a abrir, somos um dos únicos setores ainda impedidos de trabalhar!!!...

Publiée par Anima Park sur Dimanche 20 septembre 2020

Uns dias antes, César Batas tinha falado à agência Lusa sobre a crise nos parques de diversão para crianças, com atividade suspensa desde março e despesas regulares para pagar, incluindo endividamentos para tentar manter vivo o negócio.

Há pouco mais de uma semana foi lançada uma petição na Internet para levar o debate sobre a crise no setor dos parques infantis à Assembleia da República. O objetivo é chegar às 4.000 assinaturas, esta segunda-feira tinha cerca de 1.700.

No início do confinamento, além do programa de "lay off" de que usufruiu durante dois meses, César teve hipótese de se candidatar a uma linha de apoio especial e conseguiu-a. Perspetivou uma paragem de três meses e pediu €50 mil, mas a suspensão da atividade prolongou-se, o dinheiro foi-se gastando e agora será muito difícil conseguir uma extensão desse apoio.

Meio milhar de parques aflitos

Como o Anima Park, há cerca de 500 espaços de entretenimento infantil em Portugal com a corda no pescoço e a desesperar pela autorização do governo para voltarem a organizar festas para crianças.

"Até esta pandemia chegar, estávamos muito bem. O número de colaboradores fixos era de oito ou nove, e nos dias de eventos, dependendo dos aniversários, chegavam a ser 25 ao sábado e domingo", recordou César Batas, nas declarações à Lusa.

À Euronews atualizou a situação. "Tinha feito contratos renováveis de um ano com nove pessoas, mas não os pude renovar. No pico do trabalho, podíamos ter oito aniversários e isso implicava 25 pessoas ao fim de semana. Agora, não há trabalho, não se justifica. Tenho apenas uma gerente e a sócia-gerente, a minha mulher", contou-nos.

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Publiée par Anima Park sur Mardi 22 septembre 2020

A empresa mantém apenas dois salários a rondar os €700 e tem ainda uma renda de €7.500, "suspensa desde abril" por acordo com o proprietário. "Mas vamos ter de começar a pagar porque o dono do espaço também precisa de viver", disse-nos César Batas, que tem mantido o diálogo sobre uma situação que não pode ser prolongada por muito mais tempo.

Em julho e agosto, o Anima Park ainda conseguiu realizar atividades de tempos livres (ATL), mas as receitas, entre de €2 mil e €3 mil, "não davam sequer para as despesas", admitiu o empresário.

Com o Anima Park totalmente fechado desde 11 de setembro, o empresário tem procurado alternativas de negócio como o aluguer de decorações e de "know how" para a realização de festas infantis no domicílio dos clientes, mas o negócio "está lento".

Ao mesmo tempo, César está a tentar encontrar novas linhas "de apoio para as rendas e para os colaboradores". "Quem teve acesso à primeira linha de crédito, já não pode ter a segunda e aquele prazo que pensámos ser de três meses (de paragem) já vai a caminho de sete meses", lamentou.

César Batas tem um plano de retoma da atividade respeitando as regras que as autoridades de saúde têm adotado para outros setores empresariais.

Vamos reduzir o espaço útil para respeitar as duas pessoas por cada quadrados metros quadrados e a lotação normal de 160 crianças também é reduzida em 50%.

Nos aniversários, as crianças passam a ter uma cesta individual com o respetivo lanche, em vez da mesa cheia para todos, os grupos passam a estar limitados a 10 crianças e a duração das festas passa de 3 para 2 horas, incluindo meia hora para o lanche e cantar os parabéns e permitindo meia hora para higienizar o local a seguir.
César Batas
Dono do Anima Park, Cascais, Portugal

Apesar do plano de contingência para retomar a atividade, a autorização do governo tarda.

Uma associação para defender o setor

Com outros empresários do setor, César Batas formou a Associação portuguesa de Espaços Infantis e Recreativos (ANEIR).

O mentor da associação foi André Resende, do Hello Park, em Lisboa, que reclama de discriminação das autoridades de Saúde em relação a outros setores de entretenimento como os carrosséis itinerantes.

Explicações...

Publiée par Hello Park sur Jeudi 13 août 2020

"Nós ficámos para o fim. Completamente esquecidos. Gostávamos de voltar a ter atividade. Estamos dispostos a cumprir regras, já apresentámos planos de contingência, mas até agora não temos resposta do governo, disse André Resende à Lusa.

O proprietário do Hello Park, que tem como atrações um barco pirata e uma casa na árvore, não tem dúvidas em afirmar que, ao manterem encerrados estes parques, as autoridades "estão a roubar a infância das crianças e o direito de celebrarem o seu aniversário com os amigos".

"Queremos abrir portas, voltar a trabalhar. Nós precisamos, os pais precisam e, sobretudo, as crianças. Nós não podemos estar a hipotecar o futuro das crianças. A infância é só uma", sublinhou.

O funcionamento do Hello Park representou, desde a sua abertura, um investimento de quase um milhão de euros e emprega oito funcionários fixos e um conjunto de monitores.

Apesar da situação dramática, a administração do Hello Park conseguiu manter todos os postos de trabalho fixo.

A agência Lusa contactou o Ministério da Economia, que disse estar a acompanhar a situação e que "oportunamente acrescentará informações". Também a Direção-geral de Saúde foi contactada, mas sem dar uma resposta.

Todas as atividades relativas aos salões de dança ou de festa, parques de diversões e parques recreativos e similares permanecem encerrados. E assim de verão ficar enquanto durar a situação de contingência em que o governo colocou Portugal, pelo menos, até 14 de outubro.