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Grupos islâmicos franceses pedem fim dos protestos contra França

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Grupos islâmicos franceses pedem fim dos protestos contra França
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Três grandes mesquitas francesas e três grandes grupos de muçulmanos juntaram-se esta segunda-feira em Paris e, a uma só voz, condenaram os apelos "injustificados" ao boicote de produtos franceses, ao terrorismo e também de "todos os que instrumentalizam o Islão com fins políticos", noticiou a France Press.

"Apelamos a um regresso à calma e encorajamos os nossos jovens a não se deixarem levar por caminhos sinuosos que não têm outro fim se não a destruição e a autodestruição", lê-se no documento ratificado.

A posição comum revelada em Paris aconteceu enquanto noutros países ocorriam mais manifestações islâmicas contra o presidente de França.

No Bangladesh, mais de cinquenta mil pessoas insistiram no apelo de boicote aos produtos franceses. Tal como na Indonésia, onde milhares de muçulmanos marcharam em Jacarta para um protesto junto à embaixada francesa, que teve de ser protegida pelas forças de segurança.

A revolta islâmica levantou-se após o presidente de França ter defendido a liberdade de expressão dos caricaturistas, nomeadamente os do jornal satírico Charlie Hebdo, que, na sequência de uma representação satírica do profeta Maomé, foi alvo em 2015 de um ataque terrorista.

A controversa caricatura voltou à ordem do dia depois de o professor Samuel Paty ter sido assassinado após mostrar o desenho numa sala de aula.

Numa entrevista ao canal televisivo Al-Jazeera, do Qatar, difundida no sábado, Macron sublinhou que "as caricaturas criticam todas as religiões". "Todas", insistiu.

Não há caricaturas específicas mais contra uma religião do que contra outra.

"Em sociedade, devemos aceitar e respeitar cada um, mas não me cabe a mim, enquanto presidente de França, limitar esse direito porque alguns se sentem chocados.

"É isso que gostaria que compreendessem porque se não teria que implementar no meu país uma forma de ordem moral ou religiosa.
Emmanuel Macron
Presidente de França

Após o assassinato de Samuel Paty e a da posição de Macron a defender a liberdade de expressão, outros ataques terroristas tentados ou concretizados ocorreram em França e a segurança teve de ser reforçada junto a locais de culto por todo o país.