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Grupo terrorista Estado Islâmico reivindica ataque de Viena

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Chanceler, Presidente e líder do Conselho Nacional da Áustria depositam flores pelas vítimas
Chanceler, Presidente e líder do Conselho Nacional da Áustria depositam flores pelas vítimas   -   Direitos de autor  AP Photo/Matthias Schrader
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O grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico, também denominado como Daesh ou ISIL, reivindicou esta terça-feira a responsabilidade pelo ataque desferido na capital da Áustria.

Num comunicado difundido pela rede social Telegram e citado pelas agências EFE e France Press, o grupo jiadista escreveu que "um soldado do califado" se lançou contra "uns agrupamentos na cidade da Viena", atacando-os com uma arma automática, pistola e uma faca.

A ligação ao grupo terrorista não é nova. O único atacante conhecido até agora, e já abatido pela polícia, tinha uma relação com a organização jiadista e teria manifestado lealdade ao suposto líder do grupo antes do ataque de segunda-feira à noite.

Horas antes da reivindicação do grupo, o ministro do Interior da Áustria, Karl Nehammer, revelou não haver indícios da existência de um segundo atirador no ataque terrorista. As suspeitas apontam para um "lobo solitário" jiadista.

As autoridades estão a avaliar mais de 20 mil vídeos amadores registados durante o ataque e partilhados numa plataforma criada para o efeito poucas horas após o tiroteio, que resultou na morte de quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, além de um atacante, e ainda nos ferimentos de mais 22pessoas.

Um terabite de dados representam mais de 20 mil vídeos do ataque.

Já analisámos mais de 50 por cento e o processo ainda não está terminado, mas ao mesmo tempo, até este momento, a investigação não encontrou quaisquer indícios de haver um segundo atacante.
Karl Nehammer
Ministro do Interior da Áustria

O atacante abatido pela polícia é um jovem de 20 anos, identificado como Kujtim F., natural da Macedónia do Norte e com nacionalidade austríaca, já com uma condenação no cadastro, a 22 meses de prisão, em abril de 2019, por ligação a grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico ou Daesh, ao qual se pretendia juntar na Síria.

No final de 2019, o jovem foi colocado em liberdade condicional e o ministro do Interior admite agora ter-se tratado de uma falha do sistema austríaco de desradicalização, que acabou enganado pelo terrorista e no desfecho desta segunda-feira à noite.

Às 15 horas (14h em Lisboa), a polícia de Viena atualizou as informações e deu conta das últimas informações confirmadas.

Bem longe de Viena, perto de Zurique, na Suíça, a polícia local deu conta da detenção de dois jovens helvéticos, por possível ligação ao ataque na capital austríaca.

"As investigações policiais permitiram identificar dois cidadãos suíços de 18 e 24 anos. Os dois homens foram detidos em Winterhur na terça-feira à tarde em coordenação com as autoridades austríacas. A ligação entre os dois suspeitos e o alegado assassino está atualmente a ser objeto de esclarecimento e investigação", informou a polícia do cantão de Zurique.

O ataque começou por volta das 20 horas (19h em Lisboa) e cerca de nove minutos depois o atacante tinha sido neutralizado a tiro pela polícia de Viena.

Desde então, as autoridades realizaram mais de 18 buscas domiciliárias na região de Viena e da Baixa Áustria. Pelo menos 14 pessoas consideradas próximas do atacante abatido foram detidas para interrogatório sem quaisquer evidências de que tenham de alguma forma participado no ataque.

Homenagem às vítimas

O chanceler da Áustria, Sebastian Kurz, o presidente, Alexander van der Bellen, e o líder do Conselho Nacional, Wolfgang Sobotka, prestaram esta terça-feira uma homenagem às vítimas do "nojento ataque terrorista", como o descreveu o líder do Governo.

Temos todos de perceber que isto não se trata de um confronto entre cristãos e muçulmanos nem entre austríacos e migrantes. Não. Isto é um confronto entre muitas pessoas que acreditam na paz e aqueles que preferem a Guerra.

"É um combate entre a civilização e o barbaria. E nós vamos lutar neste combate com toda a nossa determinação.
Sebastian Kurz
Chanceler da Áustria

Além das coroas de flores depositadas pelos líderes de Estado e Governo, e das velas acesas no local onde ocorreu o ataque, a Áustria juntou-se num minuto de silêncio nacional cumprido ao meio-dia, hora local, em memória das quatro vítimas do ato terrorista.

Até os transportes públicos da capital austríaca, da Wiener Linien, se associaram ao momento solene.

No despertar de uma noite de terror, o centro de Viena esteve praticamente deserto esta terça-feira de manhã. Muitas lojas nem abriram.

A Federação de Futebol da Áustria (ÖFB) suspendeu todos os jogos da Taça previstos para estas terça e quarta-feiras, associando-se desta forma aos três dias de Luto Nacional decretados pelo Governo.

Esta quarta-feira, na reabertura das escolas após o sucedido segunda-feira â noite, os alunos irão dedicar igualmente um minuto de silêncio às vítimas do ataque.

O Reino Unido decidiu, entretanto, elevar para "severo" o nível de alerta para ameaças terroristas devido ao ataque de Viena.

O nível "severo" é o segundo mais alto na escala de alertas britânicos antiterrorismo e significa que as autoridades admitem como muito provável a ocorrência de um ataque.

O ministério do Interior avisa que "as pessoas devem manter-se alerta, mas não alarmadas, e devem reportar as suas preocupações à polícia".

A ministra do Interior, Priti Patel, explicou tratar-se de "uma medida de precaução" e que "não se baseia em nenhuma ameaça específica".

"Os cidadãos devem continuar a manterem-se vigilantes e a reportar à polícia qualquer atividade que considerem suspeita", escreveu Patel nas redes sociais.

A ministra britânica já se tinha manifestado horas após o ataque de Viena "profundamente chocada e triste" pelo ocorrido na capital austríaca.