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Khaled K.K., o ex-combatente sírio para quem "enfrentar a vida é tão perigoso como a morte"

Khaled K.K., o ex-combatente sírio para quem "enfrentar a vida é tão perigoso como a morte"
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De Anelise Borges & Euronews
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Ao sentir-se abandonado pela comunidade internacional e sem alternativas, Khaled K.K. pegou pela primeira vez numa arma para lutar contra o regime de Bashar al-Assad. Hoje, é como refugiado que sente a coragem "posta à prova".

Continuámos a pedir à comunidade internacional, porque era a única coisa que podíamos fazer. Mas depois perdemos a esperança e dissemos 'muito bem, teremos de confiar em nós próprios'
Khaled K.K.
Ex-combatente da oposição síria

O que começou como manifestações pacíficas contra o regime sírio, em 2011, acabou por tomar proporções mais drásticas. A brutal repressão do governo contra os manifestantes levou à deserção de vários militares que viriam a formar um movimento de resistência armada. A criação do Exército Sírio Livre marcou o início de uma nova era na revolta.

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Khaled tinha 21 anos quando decidiu lutar por uma "Síria diferente".

"Eu era jovem e não era médico, não sabia mais o que fazer. Por isso optei por lutar, por carregar uma arma e lutar. Mas também não sabia como usar uma arma. Nunca tinha visto uma arma de verdade", recorda.

A decisão de lutar, confessa, nem sempre lhe parece ter sido a mais acertada.

"Na maioria das vezes sim, mas por vezes questiono-me, porque o que estava a fazer era tirar a vida às pessoas".

À medida que os combates se intensificavam, os aviões do regime começaram a bombardear áreas urbanas densamente povoadas.

No segundo ano do conflito, um milhão de civis tinha fugido e outros dois milhões estavam deslocados dentro do país.

Perante a escalada de violência, os Estados Unidos da América enviaram uma mensagem aos líderes sírios. Em agosto de 2012, o então presidente Barack Obama, traçava aquilo o que para a Casa Branca eram "linhas vermelhas".

"Temos sido muito claros com o regime de Assad e também com outros agentes no terreno sobre para nós ser uma linha vermelha começarmos a ver uma série de armas químicas a ser movimentada ou usada. Isso iria mudar o meu cálculo, alterar a minha equação".

Mas um ano depois, a 21 de agosto de 2013, as notícias davam conta de um ataque químico na Síria. Nos arredores de Damasco, Ghouta oriental e ocidental, áreas detidas pela oposição foram atingidas com o agente químico sarin. Centenas de pessoas morreram.

A "linha vermelha" de Barack Obama tinha sido ultrapassada. Mas o ataque químico de Ghouta acabaria por se tornar no mais próximo que o Ocidente esteve de uma intervenção direta na Síria. E a prova clara de que evitaria a todo o custo ser arrastado para um conflito.

Depois de Ghouta, Khaled foi gravemente ferido e conseguiu deixar a Síria para ser tratado.

Hoje, a viver na Europa, o antigo combatente rebelde diz que é como "refugiado" que a sua coragem está realmente a ser posta à prova.

"Aprendi que a violência não nos leva a lado nenhum e enfrentar a vida é tão perigoso como enfrentar a morte. Só é preciso mais energia. Destruir é muito fácil, matar pode ser muito fácil. Mas para ganhar confiança, para espalhar a felicidade, para espalhar o conhecimento, para reconstruir, é muito difícil. Muito duro".

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