Última hora
This content is not available in your region

As histórias dos sírios de Raqqa na Suécia

Access to the comments Comentários
De  Anelise Borges
euronews_icons_loading
As histórias dos sírios de Raqqa na Suécia
Direitos de autor  euronews
Tamanho do texto Aa Aa

Os eventos em Raqqa marcaram um capítulo brutal da guerra na Síria e o êxodo da população.

A cidade síria tornou-se conhecida em todo o mundo como “a capital do Estado Islâmico”. A organização bárbara promove o terror e uma ideologia radical, muito além das fronteiras da Síria. Graças à propaganda e à lavagem cerebral de numerosos adolescentes, na Europa e noutros partes do mundo, a organização terrorista espalhou-se por novos territórios. Os sírios passaram a ter mais um agressor.

Mohammed Jasem Shaban vive hoje na Suécia. O ativista sírio dos direitos humanos fugiu de Raqqa mas viveu à distância os horrores do estado islâmico através dos relatos da mãe e dos irmãos.

“Um dia eles foram a casa da minha mãe e perguntaram por que é que eu estava a trabalhar com Direitos Humanos, porque na mentalidade deles, os ativistas são infiéis. Disseram à minha mãe para me dizer que eu devia abandonar o meu trabalho e ela pediu-me para fazê-lo porque conhecia aquelas pessoas e sabia que se tratava de uma ameaça indireta perigosa”, contou Mohammed Jasem Shaban.

A Suécia, um refúgio para muitos sírios

Mohammed não é o único refugiado oriundo de Raqqa, a viver em Eskilstuna, a cem quilómetros de Estocolmo. No auge da chamada crise dos refugiados, em 2015, a Suécia recebeu o maior número de requerentes de asilo per capita, da União Europeia.

Um terço dos requerentes de asilo eram sírios. Dezenas de famílias de Raqqa mudaram-se para a cidade sueca.

“Raqqa era uma bela cidade às margens do rio Eufrates, com um povo muito gentil e muito simples. Antes, não havia terrorismo. O que aconteceu com a cidade é lamentável. "

euronews
médicos síros refugiados na Suéciaeuronews

Os bombardeamentos em Raqqa

Os médicos sírios Ismail Kadro e Hamza Alkhedr trabalham no hospital local e ainda não esqueceram os vídeos de decapitação.

“Às vezes, vemos esses vídeos porque estamos preocupados com a nossa família, os nossos amigos e os nossos vizinhos, para ver quem é que eles mataram”, contou Ismail Kadro, médico sírio.

Além do trauma causado pelo Daesh, Raqqa foi bombardeada durante quatro meses. A operação aérea contra o grupo terrorista liderada pelos Estados Unidos terá matado 1600 civis, nomeadamente, a mãe, o irmão, a cunhada e os sobrinhos de Ismail Kadro.

“8 de janeiro de 2016 em Raqqa. Bombardeamento da coligação internacional. Não sei quem bombardeou a minha casa e quem matou a minha família. Não sei. Talvez tenha sido o Assad, ou a América, talvez a França, talvez os britânicos ou os holandeses.Não sei”, confessou Ismail Kadro.

“O povo sírio tem milhões de histórias como a minha. Mas as pessoas aqui na Europa não sabem o que aconteceu. Eles só veem os crimes, os refugiados que vieram para aqui ... e pensam que todos os refugiados vêm para aqui porque querem dinheiro, porque querem mulheres. Mas eles não sabem por que é que deixámos aquele país", acrescentou o médico sírio.

Para Mohammed Jasem Shaban, abandonar a Síria e Raqqa, em particular, não foi uma escolha. Foi o preço a pagar para viver em paz.

“A Suécia ajudou-me, ajudou a minha família, a minha mulher, os meus filhos. Agora, a Suécia é o meu país”, sublinhou o ativista sírio.