EventsEventos
Loader

Find Us

FlipboardLinkedin
Apple storeGoogle Play store
PUBLICIDADE

As histórias dos sírios de Raqqa na Suécia

As histórias dos sírios de Raqqa na Suécia
Direitos de autor euronews
Direitos de autor euronews
De  Anelise Borges
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

No auge da chamada crise dos refugiados, em 2015, a Suécia recebeu o maior número de requerentes de asilo per capita, da União Europeia.

PUBLICIDADE

Os eventos em Raqqa marcaram um capítulo brutal da guerra na Síria e o êxodo da população. 

A cidade síria tornou-se conhecida em todo o mundo como “a capital do Estado Islâmico”. A organização bárbara promove o terror e uma ideologia radical, muito além das fronteiras da Síria. Graças à propaganda e à lavagem cerebral de numerosos adolescentes, na Europa e noutros partes do mundo, a organização terrorista espalhou-se por novos territórios. Os sírios passaram a ter mais um agressor.

Mohammed Jasem Shaban vive hoje na Suécia. O ativista sírio dos direitos humanos fugiu de Raqqa mas viveu à distância os horrores do estado islâmico através dos relatos da mãe e dos irmãos.

“Um dia eles foram a casa da minha mãe e perguntaram por que é que eu estava a trabalhar com Direitos Humanos, porque na mentalidade deles, os ativistas são infiéis. Disseram à minha mãe para me dizer que eu devia abandonar o meu trabalho e ela pediu-me para fazê-lo porque conhecia aquelas pessoas e sabia que se tratava de uma ameaça indireta perigosa”, contou Mohammed Jasem Shaban.

A Suécia, um refúgio para muitos sírios

Mohammed não é o único refugiado oriundo de Raqqa, a viver em Eskilstuna, a cem quilómetros de Estocolmo. No auge da chamada crise dos refugiados, em 2015, a Suécia recebeu o maior número de requerentes de asilo per capita, da União Europeia.

Um terço dos requerentes de asilo eram sírios. Dezenas de famílias de Raqqa mudaram-se para a cidade sueca.

“Raqqa era uma bela cidade às margens do rio Eufrates, com um povo muito gentil e muito simples. Antes, não havia terrorismo. O que aconteceu com a cidade é lamentável. "

euronews
médicos síros refugiados na Suéciaeuronews

Os bombardeamentos em Raqqa

Os médicos sírios Ismail Kadro e Hamza Alkhedr trabalham no hospital local e ainda não esqueceram os vídeos de decapitação.

“Às vezes, vemos esses vídeos porque estamos preocupados com a nossa família, os nossos amigos e os nossos vizinhos, para ver quem é que eles mataram”, contou Ismail Kadro, médico sírio.

Além do trauma causado pelo Daesh, Raqqa foi bombardeada durante quatro meses. A operação aérea contra o grupo terrorista liderada pelos Estados Unidos terá matado 1600 civis, nomeadamente, a mãe, o irmão, a cunhada e os sobrinhos de Ismail Kadro.

“8 de janeiro de 2016 em Raqqa. Bombardeamento da coligação internacional. Não sei quem bombardeou a minha casa e quem matou a minha família. Não sei. Talvez tenha sido o Assad, ou a América, talvez a França, talvez os britânicos ou os holandeses.Não sei”, confessou Ismail Kadro.

“O povo sírio tem milhões de histórias como a minha. Mas as pessoas aqui na Europa não sabem o que aconteceu. Eles só veem os crimes, os refugiados que vieram para aqui ... e pensam que todos os refugiados vêm para aqui porque querem dinheiro, porque querem mulheres. Mas eles não sabem por que é que deixámos aquele país", acrescentou o médico sírio.

Para Mohammed Jasem Shaban, abandonar a Síria e Raqqa, em particular, não foi uma escolha. Foi o preço a pagar para viver em paz.

“A Suécia ajudou-me, ajudou a minha família, a minha mulher, os meus filhos. Agora, a Suécia é o meu país”, sublinhou o ativista sírio.

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Doadores vão renovar ajuda a refugiados sírios no Médio Oriente

Muhammed Subat, o jornalista que registou a Síria que nunca esquece

Canárias recebem dezenas de migrantes por dia e já duplicaram centros de acolhimento