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Os portugueses que sonham com o frio

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De  Bruno Sousa
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José Cabeça
José Cabeça   -   Direitos de autor  NUNO VEIGA/ 2021 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Portugal tem pouca tradição nos desportos de inverno e ainda menos condições para praticar, mas vontade chega e sobra. José Cabeça tem o sonho de estar presente nos Jogos Olímpicos de Inverno do próximo ano e, para já, conseguiu o que nunca ninguém tinha conseguido: uma prestação nos campeonatos do mundo que permite a Portugal ter uma vaga na prova de esqui de fundo em Pequim. Nada mau para quem aprendeu a esquiar apenas para tornar realidade o sonho olímpico.

O alentejano é um autodidata, que aprendeu através da observação, quer dos restantes esquiadores, quer de vídeos da modalidade, mas sublinha que o resultado histórico (48.º na qualificação para os 10km) nos mundiais de Oberstdorf, na Alemanha, não foi fruto do acaso e só foi possível graças a muitos anos de trabalho, sobretudo no triatlo, que continua a ser a sua principal atividade desportiva.

José Cabeça não é o único português a sonhar. Diogo Marreiros já é vice-campeão do mundo de patinagem de velocidade e virou-se para o gelo para tentar chegar a Pequim. O algarvio tem um palmarés impressionante nas provas sobre rodas e tenta adaptar-se a um novo estilo de patinagem.

Apesar de não poder treinar diariamente no gelo, admite que isso não é necessariamente um problema, uma vez que a maior parte dos atletas passa o verão a treinar em países mais quentes e apenas treina no gelo durante o inverno. No seu caso, tem prevista uma viagem para a Alemanha para se treinar devidamente quando o frio chegar.

A participação portuguesa nos próximos Jogos Olímpicos de Inverno está dependente das provas de qualificação do próximo inverno mas o cenário é animador. Mesmo que a neve e o gelo sejam uma raridade em Portugal, a verdade é que nada impede os portugueses de brilhar entre a elite do Inverno.