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Afegãos no Paquistão não têm esperança de regressar ao país natal

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De  euronews
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Afegãos no Paquistão não têm esperança de regressar ao país natal
Direitos de autor  Khwaja Tawfiq Sediqi/Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved.
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Mohammed Ameen acaba de chegar ao Paquistão depois de fugir do Talibã, que tomaram Mazar-i-Sharif, a sua cidade natal, e depois Cabul.

"Quando os Talibã entraram em Cabul, as pessoas ficaram com medo e correram para o aeroporto. Eu via à distância. A situação era caótica. As pessoas estavam em pânico. Pensaram que qualquer coisa poderia acontecer. Toda a gente tentava embarcar nos aviões, até tentaram pelas asas. Muitos caíram. Estavam com muito medo.", conta Mohammed Ameen, o afegão deslocado.

Não teve outra escolha que não fugir por terra. E acredita que muitos afegãos vão acabar por fazer o mesmo mal os EUA parem de retirar refugiados para fora do país.

Mohammed Ameen trabalha num restaurante. é apenas um dos muitos afegãos que fugiram para o país vizinho. O Paquistão sabe que nos próximos tempos, vão ser muitas famílias a chegar com histórias parecidas com a de Ameen.

Uma crise de refugiados de grandes proporções ainda não se materializou. No entanto, o Paquistão tem vindo a pedir ajuda à comunidade internacional para suportar o peso de mais de 40 anos de conflito na fronteira

A segurança nacional do Paquistão acredita que foram os paquistaneses a sofrer mais as guerras do Afeganistão.

"Sabia que o Paquistão registou mais de 80.000 vítimas desde o 11 de setembro e a guerra estava na porta ao lado? Sabia que o Paquistão perdeu mais de 130 mil milhões de euros na economia? Tivemos milhões de deslocados. Damos abrigo a mais de 4 milhões de refugiados. E, quando a conversa nos outros países é sobre mais 5 refugiados, é demais...", explica Moeed W. Yusuf, Conselheiro de Segurança Nacional do Paquistão.

Moeed Yusuf diz também que só há uma forma do Afeganistão construir uma paz sustentável - negociar com os Talibãs.

"O mundo tem que se envolver e conversar com eles. O que eu sei é que nas declarações iniciais mostram claramente que eles não querem voltar aos anos 90", conta.

Mas, entre a comunidade afegã a viver em Islamabad, muitos dizem que é impossível poder confiar nos talibãs, tal como Syed Zikria, afegão deslocado.

"Eles dizem que não sentem animosidade por ninguém, mas isso é uma mentira descarada. Durante o dia eles falam assim, mas à noite vão à casa das pessoas, procuram.... E depois de dois ou três dias, matam-nos.", conta o afegão. "O meu pai estava a trabalhar com Ashraf Ghani, eles capturaram a minha família inteira e mataram todos.", explica Syed.

Syed está sozinho e, tal como Mohammed Ameen, não tem esperança de voltar ao Afeganistão. Depois de perder os pais e os 5 irmãos, conta que perdeu para sempre o país que o viu nascer.